15.12.09

Dia Branco

Eu sou fã de Geraldo Azevedo. Sou mesmo, há bastante tempo. Gosto não somente das músicas, gosto da pessoa. Perdi a conta de quantos shows dele já assisti. E quando a gente gosta de um artista, tende a gostar de toda a obra, perdendo um pouco a consciência crítica. Marido, por exemplo, venera Caetano, e até músicas non sense que eu critico, ele ri e diz que é a 8ª maravilha do mundo. Eu não chego a ser tão radical, mas hoje, ouvindo o canal de MPB da Sky, ouvi Dia Branco, que na verdade foi a primeira música de Geraldinho que ouvi, há uns 25 anos, em Recife. E sei lá o motivo, parei pra pensar no que a letra diz.

Se você vier pro que der e vier comigo
Eu te prometo o sol... se hoje o sol sair
ou a chuva... se a chuva cair
Se você vier até onde a gente chegar
Numa praça na beira do mar
Um pedaço de qualquer lugar
Neste dia branco, se branco ele for
Esse tanto, esse canto de amor
Se você quiser e vier pro que der e vier comigo

Neste dia branco, se branco ele for
Esse canto, esse tanto, esse tão grande amor...
Se você quiser e vier pro que der e vier comigo!

Como assim??? Ele diz que se a mulher quiser e for com ele – pro que der e vier – ele só dá em troca o sol… [se o sol sair] ou a chuva… [se a chuva cair]?!?

A canção aparentemente romântica, delicada, bucólica… se revela egoísta e machista. O discurso é: Venha comigo por onde eu for, aliás, eu nem sei pra onde vou, pode ser qualquer lugar… E condições? Só pra você. Ou melhor, até pra natureza, mas pra mim, não.

Sorry, Geraldinho… seu Dia Branco não é mais tão lindo assim.

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