28.1.10

Relembrando os meus 17

[Na verdade é um pouco antes, mas como estou referenciando o post da Ana que é “Do alto dos meus 17”… saiu esse título.]

Recomendo a leitura do post dela, para que o meu seja entendido. Pra quem não segue link de primeira, vou copiar um trechinho, pra despertar a vontade:

Alguém andou lendo os arquivos antigos do meu blog – posts dos anos de 2003 e 2004. Aí fiquei curiosa e fui ver quais posts estavam sendo lidos.

Fazia tempo que eu não analisava o meu eu de 16, 17, 18 anos. A primeira conclusão que tiro é a de que a quantidade de palavrões ultrapassava em 1000% o que seria o ideal. Todos sabem que defendo palavrões para complementar determinadas emoções – só um PUTA QUE PARIU de boca cheia para aliviar um pouco a dor de bater o cotovelo na quina da mesa. Só um FILHO DE UMA PUTA DO CARALHO para exprimir meus sentimentos acerca de um cidadão que maltrata um cachorro.

Enfim.

Mas, naquela época, era ridículo. 90% de uma frase minha era composta de palavrões. Porque, né. Eu era uma revoltada, gente. O mundo continua injusto e cruel, mas naquela época eu, adolescente, sonhava com o anarquismo e com a justiça feita com as próprias mãos. Ou quase isso.

O fato é que fui lendo e ficando com vergonha. Até que achei um post GENIAL. Bastante redundante com o que sempre falo: “sou gorda” blábláblá, “minha auto-estima é nula“, blábláblá, “ninguém me ama” blábláblá. Não que o blábláblá mostre demérito pelo meu sofrimento – não é fácil ser eu, se você quer saber – mas mostra que eu conheço bem onde o sapato aperta, e isso me machuca desde sempre.

Enfim. Daí que eu achei um texto que era igual. Mas diferente. Igual porque tem toda essa dose auto-estima nula que me acompanha pela vida, mas diferente porque… Sei lá porque.

Ai ai ai, acho que nunca li tanto palavrão junto!!! Mas eu ri, imaginando a situação, e enxergando com meus olhos de “tia” de mais de 40 o quanto as coisas tão simples como uma chuva, o estacionamento descoberto ou o shopping cheio podem machucar uma adolescente com a autoestima (sem hífen?) beirando o chão.

Na minha adolescência nunca escrevi nada tão revoltado, mesmo porque nunca fui de xingar, mas sim, já me senti do mesmo jeito, por ser “pobre” e não só não usar roupa de marca, como nem saber que marcas eram as usáveis pelas coleguinhas do colégio de rico, onde eu estudava pq meu pai tinha na cabeça a certeza de que “o ensino é a melhor herança”.

E eu era magrela. Pensou magrela? Era mais. Casei aos 21, pesando 40Kg, deu pra sentir o drama? Não tinha peito nem bunda, (nem barriga, tudo bem) nem estilo e nem classe. Eu era uma merda completa.

[Não sei se hoje é o melhor dia para lembrar/escrever sobre isso, já que estou há 5 ou 6 dias sem meu remedinho antideprê (puro desencontro com a médica, pra pegar receita), e a rotina de eu-sem-remédio é a seguinte: primeiro eu fico irritadiça, supersensível, discuto com todo mundo, [Marido sobra nessa]; depois choro por tudo e por nada, e me dá um sono incontrolável, vontade de sumir do mundo e só dormir; e finalmente rolo ladeira abaixo, depressão total. Até que consigo de novo a pílula da felicidade e em 14 dias estou nova em folha. Mas fala se não é um saco ser dependente química pra ser feliz??? (Salve santa Sertralina…)]

Enfim, continuando…

Eu era precoce e “prodígio” na parte cognitiva, intelectual. Era queridinha pelos professores, e toda quietinha, apesar de adorar responder perguntas feitas na sala, exatamente pra mostrar que eu “era alguém”, mas amigos, amigos de verdade eram pouqíssimos. Na verdade durante o ginásio só duas e no 2º grau mais duas. O fato é que eu sempre estudei em colégio particular, mas só estava lá, não participava de nada, nem de comprar o lanche na cantina. Não era convidada para as festas (acho que eu nem lembrava que existiam) e nem dava festas, então esse quesito festas era inexistente.

Sem festas… = sem paquerinhas ou namoradinhos, correto? Exatamente isso. E por ser precoce e adiantada na escola, eu era mais nova que a turma toda, demorei de entrar na puberdade, até pra malícia nas conversas eu era atrasada.

E ainda sofria bullying. Uma criatura [que me recuso a dizer o nome, pois é de uma das famílias tradicionais da Capitania] usava e abusava das oportunidades de me perseguir. Desde o primário, puxando minhas tranças (sim, eu sou do tempo do “primário” e das tranças"), até o final do ginásio, me colocando apelidos e me depreciando de todas as maneiras possíveis.

E acho que era genético, pois a irmã desse infeliz que era uns dois anos mais adiantada na escola me perseguia nas aulas de educação física, chegamos uma vez a nos enrolar no chão, com puxões de cabelo e unhadas, na vez em que eu não suportei mais a pressão. [Hoje, essa criatura é médica (pediatra) e enquanto eu tive filhos pequenos poderia deixar os meninos esperando outro médico, ou levá-los em Itabuna, mas jamais confiaria minhas preciosidades na mão dessa praga. E as filhas dela(gêmeas) foram minhas alunas… hahahahahah – Devo declarar que JAMAIS tratei mal ou devolvi nas filhas o que a mãe e o tio me fizeram.]

Ah, as aulas de Ed. Física! Não existia suplício maior. Eu NUNCA consegui fazer uma bola de vôlei atravessar a quadra por cima da rede. E passava mal nas mínimas coisas, como dar nãoseiquantasvoltas no campo – ou na quadra – e ter que jogar handebol porque TINHA que jogar. Eu ficava no gol, que era onde precisava correr menos, lógico.

Mas apesar de tudo isso minha autoestima não era tão baixa quanto a da minha quase xará. Eu não gostava do que via no espelho, mas gostava de quem eu era por dentro. E, talvez por ser evangélica e viver envolvida com as coisas da igreja, a consciência de que “Deus me ama e cuida de mim” não me deixava afundar.

Fui namorar de verdade, com um carinha linnnnndo e mais velho, quando tinha 17 anos. Namoro de férias de verão em Salvador, com direito a me sentir a mais linda das mulheres. Até que no mês seguinte fui estudar em Recife e enquanto esperava cartinhas de amor do meu “namorado” que nunca chegaram, recebi foi uma carta de uma prima me contando que ele havia ficado noivo, e ia casar. Na verdade ele tinha engravidado a menina, e pelas minhas contas, no mês em que eu estava “namorando com ele”. Éeeeee. Ele não transava comigo [eu era toda certinha, já falei?] mas transava com ela, e pelo jeito, sem camisinha.

Deixa pra lá. Eu deixei. Só que esse lance de ser “sem graça” começou a me incomodar – e muito. eu até tinha “melhorado” um pouquinho, visualmente, mas até parar de doer demorou um bocado.

Hoje eu estou longe de ser um exemplo de beleza, mas sou um exemplo perfeito de autoestima. Não aceito que ninguém me diga que os quilinhos a mais me fazem pior do que se espera de mim, porque eu sou o que sou, não o que querem que eu seja.

Eu me amo, me aceito, e me cuido. Adoro fazer as unhas, cuidar do cabelo, e se tivesse grana ia ser cliente fiel de massagem estética. Uso biquine [decente, claro] e não tô nem aí se alguém olha pra minha barriga. Continuo não curtindo etiqueta, compro roupa barata ou cara (se dividir em 1488 vezes) desde que fique bem, que eu goste e não me aperte, porque não tem nada melhor do que se sentir confortável.

É isso. Nem sei se era o que eu tinha pensado no começo, mas é o que foi.

E ó eu aqui, sem medo de ser feliz:

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Fotos Márcia Mascarenhas

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