17.1.10

Vício genético

Hoje cedo recebi um e-mail de Tia Suzana:

“GOSTAR DE CINEMA É VÍCIO.

E q vicio! depois de todo o choque do acidente, já em casa Vítor pergunta preocupado:-Salvaram meus filmes?

Nossa família curte cinema. Painho teve cinema. Não peguei essa fase. Mainha era nossa companheira nas matines do cine Brasil. Minha infancia foi povoada de artistas. No Cine Social só não gostava do arrastar das cadeiras na hora q iniciava o filme. Foi indo pra matine q peguei sozinha (sem instrutor - meus irmãos) o carro. pela primeira vez. Mainha e Jurema participaram da aventura. Na roça íamos assistir filme em Coaraci. Quando voltavamos, eu, Jurema e Mercedes dormíamos tarde recontando os filmes, trocando os atores pelos garotos da época. No período de namoro, eu e Cláudio tinhamos um lugar marcado. Hoje ele não vai mais ou dorme o filme inteiro.

Meu amor pelos filmes, em casa ou no cinema continua firme. A próposito, vamos ao cinema?”

O acidente a que ela se refere aconteceu com minha tia Nolinha, que estava com a mãe e os dois netinhos (Vitor e Ainí) no carro, indo pra roça, e sobrou numa curva. Graças a Deus eles não se machucaram, mas o carro ficou destruído. E a preocupação de Vitor com os filmes mostra o quanto o vício é genético.

Eu também não peguei a fase de vovô Alípio ter cinema, mas de tanto ouvir as histórias que minha mãe conta, parece que vivi tudo aquilo. Ah, eu ia ser uma ratinha de cinema, se meu avô fosse o dono! Na verdade, sou mesmo cinéfila no sentido da palavra: amo cinema. Mas não sou boa comentarista de filmes, uma vez que minha memória não ajuda… eu assito filme duas, três, dez vezes, e sempre parece novo, porque não me lembro mesmo!

Abre parênteses

Semana passada fiz uma coisa que há tempos não fazia: Fui ao cinema sozinha. Assisti Sherlock Holmes, acompanhada de um sacão de Ruffles Cebola e Salsa, dois tubinhos de Mentos e uma coca de 600ml. Teria sido delicioso, se o filme tivesse sido melhor! (Risadinha sem graça)

Sei que vão me crucificar, mas juro que não consegui gostar daquele Sherlock, talvez por ter sido dublado, ou porque na minha idéia, mesmo sem ter lido, o Sherock era mais parecido com Poirot, de Ágatha Christie, e não aquele ser marrento, de músculos trabalhados, e que antevia e explicava a ação da luta em 245 takes, que depois passava “em tempo real” em 7 segundos. A “mocinha” da história – que na verdade era uma vilã – também não me convenceu. Muito magra, muito forçada, muito tudo que não combinava.

Fecha parênteses, que este post não é pra falar do filme, é pra falar do vício, do cinema.

Pra mim, ir ao cinema é mais do que assistir um filme. É todo um ritual, é a delícia de sair de casa geralmente correndo e chegar em cima da hora; mostrar o comprovante de matrícula na faculdade pra pagar meia e adorar ser estudante; é escolher o lugar, o mesmo de sempre, sempre que possível: a penúltima fila da fileira do meio; é curtir os traillers e depois ficar achando que já assisti o filme ou dizer: quero assistir esse, mas depois não lembrar qual foi o que desejei; é ir com pouco dinheiro, contando os trocados para pagar o ingresso no Santa Clara (agora está 4 reais a meia) e não ter nem pra comprar pipoca, ou ir abonada e pagar 16 reais na meia no cinema do Shopping da Gávea; é não reconhecer os artistas e me achar o máximo quendo reconheço alguém lá pelo meio do filme, coisa que todo mundo já sabia; é amar a trilha sonora e correr pra baixar quando chegar m casa; é ser a última a sair por ficar vendo os créditos até o fim…

Cinema é coisa mágica. É um mundo surreal, que me carrega pra dentro da tela, tal qual a mocinha da Rosa Púrpura do Cairo, ou como Lisbela, que sabia tudo sobre ir ao cinema e antever o desenrolar do filme. Adoro as metalinguagens, quando o filme trata do próprio cinema, desde Cinema Paradiso até Bastardos Inglórios. Gosto de me imaginar escrevendo roteiros ou dirigindo as cenas, escolhendo a melhor posição para a câmera e a luz a ser usada. Me acho mais “sabida” do que certos diretores de fotografia, mas reconheço quando a coisa fica perfeita, “do jeito que eu faria”.

Adoro ter em casa outros admiradores da arte cinematográfica: o Filhote que antes escolhia filmes hoje sai pra assistir qualquer um e Marido que precisa ser arrastado pra entrar na sala escura, e sempre usa a mesma justificativa: “se é pra dormir, prefiro dormir em casa mesmo” ou a alternativa: “temos mais de 50 filmes em casa…” (Na vedade temos mais de 100, entre originais e piratas, alguns assistidos inúmeras vezes e outros ainda lacrados) mas quando vai fica todo satisfeito e até escreveu no blog da Consultic um post usando o cinema como parâmetro para a política local.

Pois então, tinha que ser este o assunto pra me tirar do limbo bloguístico e destampar a torneirinha de postagens decentes. Ah, e só pra registrar, vou aceitar o convite de Tia Su e já marcamos para assistir Lula, o filho do Brasil hoje à noite. Voilá!

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[Só explicando: Ainda estou enxaquecada, e isso me deixa sem arte pra muita coisa. Inclusive pra dar as notícias sobre o CASAMENTO, que está mais próximo do que vocês podem imaginar. Mas eu volto com um post específico para o assunto. ;) ]

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