10.2.10

Crônica esportiva

Originalmente publicada no box do Haloscan que já-já vai sumir do blog de Dinah, e honrosamente transportada para a página de posts deste blog. O Cronista esportivo tem um estilo peculiar de escrever, que, pelo menos aqui em casa rende boas risadas. Espero que vocês também gostem. Ah, e as 1488 referências a filmes, livros, mitologia, futebol e afins acontecem  porque o Cronista é bastante erudito. Fazer o que, né? A gente tenta entender.

(Referência a este post, em que eu disse que Marido foi goleiro do Ferroviário, time de Ilhéus na década de 60. O comentário de Marta era que ele “pegava todas”. Isso gerou a crônica abaixo.)


“Alice Lewis Carrol me disse que foi assim:

Mal o homem de preto - expressão há muito ultrapassada, pois nos tempos debordiespetaculares de hoje, a indumentária de um árbitro pede qualquer coisa no estilo de Jorge “goleiro mexicano” Campos - [... Me ocorreu agora uma tese absolutamente heurística, demonstrando o liame psicoafetivocultural entre esse discípulo de René “a mais fantástica defesa da história do futebol que transformou um monótono amistoso Inglaterra X Colômbia numa página inesquecível do futebol” Higuita e as novelas mexicanas...] apitou, a BallBel foi alçada na pequena área.

Masca Mão de Veludo - o lendário guarda metas do lendário Ferroviário de Ihéus - instintivamente calculou o exato ponto descendente da trajetória e postou-se para a defesa...

...Porém, aquela não era uma bola comum, era uma raríssima BallBel, toda dourada e redondinha .

Num átimo, Masca já não era Masca. Era agora um semideus tipo Hércules, tipo Atlas, a quem , naquele momento, importava apenas colher o Pomo da Hespérides, ou roubar o Velocino de Ouro. Destarte, Mão de Veludo voou uns dois metros acima da cabeça adrianicamente ameaçadora do centro-avante, agarrou BallBel, e os dois cairam apaixonadamente na pequena área.

Pra quem assistia das arquibancadas, parecia um lance normal de jogo, mas...

...Cadê que Mão de Veludo se levantava?...

Todos se perguntavam: terá quebrado o braço? luxou o ombro?

Que!...

(Decerto, Masca Mão de Veludo antecipava em alguns anos a manha manjada de Bruno, que “cai” em todo jogo só pra esfriar o ímpeto adversário. [Será que preciso te dizer o nome do time que paga os estipêndios de Bruno?...])

Veio o juiz, percebeu que não era caso de contusão, dado ao prazer evidente do atleta, e aplicou-lhe insensivelmente o cartão amarelo por cera e ordenou-lhe repor a BallBel em jogo.

Inútil. Mão de Veludo continuava aninhado com a dita cuja no interior da pequena área.

O juiz não teve alternativa senão cumprir a regra: mostrou-lhe o segundo amarelo e o vermelho logo em seguida.

Mas Mão de Veludo - infenso ao árbitro - nem se mexia.

O médico do Ferroviário foi chamado e logo diagnosticou que Masca já não era responsável por suas ações: ele estava apaixonado pela BallBel.

Chamou os homens da maca, e Mão de Veludo foi retirado de campo, substituído, e o Ferroviário foi goleado.

Quanto a Masca, diz que até hoje não tem quem o faça soltar BallBel...

A homologação da ligação (a)efetiva sai por esses dias.

Não obstante o aval da comunidade, as palavras de Cazuza que seguem abaixo vocês já sabem de cor e salteado...


“Agora 'vão bora'
Estamos meu bem por um triz pro dia nascer feliz (2x)
O mundo acordar e a gente dormir, dormir
Pro dia nascer feliz
Essa é a vida que eu quis
O mundo inteiro acordar e a gente dormir
Todo dia é dia e tudo em nome do amor
Essa é a vida que eu quis”

Enorme abraço em ambos os dois, conjuntamente juntos.


Jucemir, cronista esportivo.”

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