7.4.10

Do otimismo exagerado que me irrita

Que mamys está no hospital vocês já sabem. Mas acho que não sabem do otimismo exagerado dela. Ou sei lá como chamar essa necessidade de omitir TUDO o que é ruim: dor, chateação, coisas erradas… E quando a gente fica o dia inteiro junto de uma pessoa assim, isso irrita.

Por exemplo: Ontem o atendimento aqui na Santa Casa de Ilhéus (Hospital São José) foi digno de elogios em 99% das situações: Atendentes/enfermeiras/copeiras simpáticas, atenciosas(os), higiene, bom humor, etc, etc, etc e eu elogiando, sempre. Só que apareceu uma auxiliar de enfermagem que foi descortês, grosseira, mesmo. E eu comentei com ela que aquela moça destoava do geral do atendimento. E ela: “Minha filha, não vamos falar mal, vamos só falar bem!” Poxa, eu falei bem de tudo e todos, aquela ali foi toda errada e eu não podia nem comentar com ela que a moça foi desagradável?

E meu pai vai no mesmíssimo caminho, eles dois são a panela e a tampa, como se diz. Eu cheguei aqui, de manhã, e disseram que estava “tudo bem”, “ a única coisa que não foi perfeita foi que ela não dormiu direito”. Beleza. A médica chega, e eles repetem a história. A médica dá 1/4 de Rivotril, pra ela se acalmar e tirar uma sonequinha. Já à tarde, uma auxiliar de enfermagem perguntou se ela estava fazendo cocô, se estava ficando tonta… e meu pai disse que “numa das vezes que ela levantou à noite para ir ao banheiro, saiu sangue nas fezes e ela teve “um ligeiro desmaio”, mas ele segurou (oh, que doce!). Como é que é??? Um ligeiro desmaio, dentro de um hospital e não chama ninguém, nem diz à médica o que aconteceu?

Mas nem pensem que acabou, ainda teve outra, agora há pouco:

Enfermeira: A sra. está se sentindo bem? Ela: Sim, minha filha, estou bem! Eu: Não tá bem, não! Como é que a pessoa faz fezes com sangue CINCO vezes  no dia e diz pra enfermeira que “tá tudo bem”? E o pior é o tom de resignação que acompanha essas falas. Ela NUNCA reclama que dói, NUNCA. É como se fosse pecado dizer que algo está incomodando.

Nessa de esconder dor, o acordeon que ela comprou e está aprendendo a tocar provocou dores nos ombros, e ela não disse nada a ninguém, mesmo porque eu tinha avisado que era pesado pra ela… Só soltou, sem querer, porque falou: “Vou dar o acordeon de presente a Line, no aniversário dela.” Eu: Mas a senhora vai desistir de tocar? Ela: “É… tá me dando uma dorzinha no ombro…” E a tal “dorzinha” é tal que ela já desistiu do sonho tão sonhado. Mas não diz uma palavra sobre a dor em si.

Pior é que além de encarar a vida dessa maneira pra si, ela exige que quem esteja perto dela viva/sinta/pense igual. E me repreende cada vez que eu digo que estou com calor, por exemplo. Nem os calores da menopausa eu tenho direito de dizer que estou sentindo???

Ao mesmo tempo, fica fantasiando sobre a doença. Pergunta mil vezes como é o nome do exame que vai fazer (colonoscopia) e já decidiu que tem pólipos sangrando, e quer saber como vão ser extraídos os pólipos, quer que eu pegue uma mala de roupa em casa, porque vai ficar OITO dias no hospital. (A médica falou: o exame pode ser feito no OUTRO dia)

Quer saber? Dei outro 1/4 de rivotril, pra ver se fica calminha e descansa. E eu também.

 

PS- Quem achar ruim meu desabafo, marca no xis ali em cima, mas pelamordedeus não venha me recriminar não, que de chateação eu tô cansada.

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