5.7.10

Mary and Max

Sábado fui com Line e Bernardo assistir Mary and Max no cinema da Fundação Joaquim Nabuco. A única coisa que eu sabia do filme era que era de animação, e sobre a correspondência entre uma garotinha e um “velho”.  Se você não assistiu, pretende ainda assistir e não aguenta spoiler, pare agora e feche a página.

Escrito e dirigido por Adam Eliott (nunca vi mais gordo), o filme é chamado pela crítica de “animação depressiva”. Eu discordo. Apesar de apresentar duas pessoas desajustadas, cada uma a seu modo, faz a gente rir. Talvez essa seja a grande lição do filme: É possível sorrir das desgraças, mesmo que elas sejam nossas. Sim, porque é impossível não de identificar com as personagens em muitos momentos.

Um narrador onisciente mostra o mundo pelos olhos de Mary, uma garotinha de 8 anos que mora na Austrália e de Max, um “velho” de 44 anos, obeso e  que mora em New York.

Mary tem pais complicados: uma mãe que vive bêbada e pratica pequenos furtos no mercado (e explica para a menina que só está “pegando emprestado”) e um pai que além do trabalho comum, empalha animais. A visão que a menina tem de sua família é distorcida, mas ela percebe que não devia ser assim. Mary sofre de bullying na escola, é apaixonada pelo vizinho, tímida ao extremo e meio como Bob do Fantástico Mundo de Bob ela cria sua realidade particular.

Max me pareceu ter um tipo de autismo, e diz que ele tem Síndrome de Asperger, que acabei de ver que é mesmo uma desordem mental no espectro do autismo. Um dos sintomas citados na wikipéida é bastante visualizado no filme: “Frequentemente, possui um Q.I. verbal significativamente mais elevado que o não-verbal”. Max não reconhecia as expressões faciais das pessoas, nem mesmo a sua própria. Veja a expliação que ele dá, numa das cartas:

O filme, feito em Stop Motion (fotografado quadro a quadro) segue na linha de “Nunca te vi, sempre te amei”, um dos meus filmes preferidos, com encontros e desencontros, com momentos de amor explícito e desentendimento que custa a ambos anos de solidão e tristeza. É na correspondência com Max que Mary procura compreender suas grandes questões, como “de onde vem os bebês”, e Max encontra em Mary a amizade que nunca encontrou na vida.

É interessante como eles partilham gostos, como o chocolate, e sentimentos. Outra coisa que Adam Eliott fez que eu gostei muito foi quanto às cores. Em NY é tudo em tons de cinza, e em Melbourne tudo é em sépia. Nos dois ambientes a única cor que se destaca é o vermelho.

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É, contado assim parece mesmo uma animação depressiva. Mas no fundo, no fundo, não achei não. Mesmo tendo ficado com vontade de chorar no começo, no meio e no fim. Fim.

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