31.8.10

Papel

Com o poema de Drummond, Miriam Leitão encerrou seu comentário no Bom Dia Brasil de Hoje, 31 de agosto de 2010, sobre a última  edição impressa do Jornal do Brasil.

PAPEL

E tudo que pensei
E tudo que eu falei
E tudo que me contaram
Era papel.

E tudo que descobri
Amei
Detestei: papel.

Papel quanto havia em mim
E nos outros, papel!
De jornal, de embrulho.
Papel de papel, papelão!
Agora o JB, escola dos melhores jornalistas do país, símbolo de resistência à todas as ditaduras não existirá mais em papel, terá apenas sua versão online.

Então os Apocalípticos (Humberto Eco) estavam certos, é o fim de uma era. Não sei... Não consigo ainda imaginar o mundo sem papel, sem livros, revistas e jornais de papel. Sou absolutamente adepta da leitura na tela do computador, leio e-books enormes, material acadêmico, noticias... numa boa. Mas não dispenso o livro de papel, com textura, cheiro e a possibilidade de riscar, grifar, escrever junto com o autor ao colocar minhas observações pelas margens dos livros.

Sei que os leitores de e-books (Kindle, iPad, e até o Saraiva Digital - recebi e-ail ontem, anunciando o lançamento do leitor de e-books nacional) estão aí - eu quero um! - e vieram pra ficar. Mas ainda tenho lá no fundo a esperança de que a a convivência entre o papel e o digital continue existindo. Vejam, o Skoob lançou a promoção "Um iPad ou 100 livros" e, pasmem os Apocalípticos:  enquanto 36.135 querem o iPad, 24.642 querem 100 livros! Não está tão perto assim o apocalipse do papel, está?

  (Aproveita e vai lá participar da promoção, quem sabe você ganha?)

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