21.11.10

Vomitando de uma vez

Acabei de dizer pra Jady no twitter que eu precisava escrever aqui, que tinha tanta coisa entalada na minha cabeça (já pensaram no que é ter palavras entaladas na cabeça querendo sair?) que eu TINHA que descrever, senão ia vomitá-las. Caso você tenha o estômago fraco, o xis vermelho ali no canto superior direito é facinho facinho de clicar, simples assim!

Mas o caso é que vou vomitar mesmo. Vomitar, porque embrulhou tudo aqui dentro, como no estômago que recebe muita comida - não comida estragada, que fique bem claro. É só uma overdose de "comida pro cérebro", que faz com que ele fique enjoado, e quando a gente vomita, sai tudo misturado, umas coisas mais mastigadas que outras, umas identificáveis e outras nem tanto, umas já azedas e outras inexplicáveis... enfim, este é um post-vômito, desculpem-me os que, como eu, não podem ver o produto que volta do estômago, que passam mal.

Semana passada assisti Tropa de Elite 2. Entrei Tropa de Elite"virgem" = sem ter lido quase nada sobre o filme, só sabia que era a continuação do primeiro e saí ansiosa por escrever sobre o redemoinho de emoções que o filme me provocou. Primeiro, orgulho técnico - como se EU tivesse feito alguma coisa... mas é que o cinema brasileiro, aos meus olhos, na maioria das vezes tem boas idéias que são estragadas na parte técnica. Falham no roteiro, na preparação de atores, na continuidade, na edição... Mas Tropa 2 pra mim, foi perfeito tecnicamente.  E mais do que técnica, conseguiu tocar profundamente na ferida aberta no nosso país. Não vou fazer spoiler, embora já tenha um tempão que o filme estreou, e quando li o post do Ernani - e os comentários - achei que ele havia contado o final... e nem tinha, então, tenham calma, que não vou dizer nada que estrague a expectativa de quem vai assistir o filme, embora o sub-título "O inimigo agora é outro" já devesse ter dado idéia do que viria pela frente.

Todo mundo (que me lê) sabe que votei "sem graça" no 2º turno. E o Tropa 2 traz uma cena de Brasília, que me levou de volta ao passado, quando em 1994 fui à Esplanada dos Ministérios e vi aquela bandeira enorme, balançando, balançando... fiquei toda arrepiada, uma sensação super estranha, forte mesmo, de patriotismo, de amor pelo Brasil, de desejo de ver meu povo feliz... pois no filme a "minha" bandeirona aparece na penumbra, numa cena escura e "murcha", o vento não batia, e dava uma sensação inversamente proporcional à que senti quando a vi ao vivo, contra um céu azul sem nuvens: tristeza, vergonha, nojo, vergonha, vergonha, vergonha, (não acho outra palavra)vergonha de ser brasileira, de ver meu país como está agora. Ah, não pensem que eu quero ir embora daqui ou alterar minha nacionalidade - nem se fosse possível eu queria. Mas juro que queria uma safra nova de políticos, mas completamente nova, ainda não contaminada pelo vírus da desonestidade e da sede de poder.

Ontem assisti Sex and The City 2 com Marido. Sim, ele assiste filme mulherzinha comigo, assisti o primeiro com ele e com meu filhote no cinema, mas o 2 o Santa Clara não exibiu, então fomos de PPV da Sky mesmo.

Eu adorei o filme. [Ele também.] E olha que eu não me enxergo em nenhuma das quatro amigas, mesmo porque o nível econômico do quarteto fica a anos-luz de distância do meu, mas pulemos essa parte. Digo que não me enxergo em nenhuma porque me vejo em todas. Um pouco de cada, um pouco em cada...


SATC 2 é daqueles filmes que, se quiser, você pode assistir só pra se distrair, pra ver cenas interessantes (desta vez em Abu Dhabi), e só, ou se quiser, tem muito material pra pensar:

Três delas estão casadas [e a quarta está solteira e é tarada por sexo], cada uma num estágio diferente do casamento, mas que certamente já foram experimentados por todas as casadas. O dilema da mãe-culpada, porque deseja ficar livre das pressões domésticas só um pouquinho, mas não se permite. O deslumbramento de uma viagem de sonhos que pode se tornar um pesadelo. O reencontro com um antigo amor e a possibilidade de traição. O medo da traição do marido com a babá gostosona. Gente, é material para uma tese de doutorado.

Ah, por falar nisso, hoje recebi resposta de uma revista para a qual enviei um artigo acadêmico para publicação, dizendo que ele foi rejeitado. Tudo bem ser rejeitado, mas juro pra vocês, fiquei arrasada com o comentário do avaliador. O sistema de seleção é blinded review, ou seja, quem lê para avaliar não sabe quem escreveu, e quem escreveu jamais saberá quem avaliou.  Tive a sensação de que o bendito membro da equipe editorial da revista estava com preguiça de ler, e lascou um ctrl c - ctrl v de uma rejeição sem classe nenhuma, reservada para os dias de mau humor ou de TPM, se for mulher.

Talvez por o artigo ser sobre internet, tenha assustado os membros da Academia, que em sua grande maioria reagem de maneira negativa a qualquer coisa que se refira à grande rede. [Digo isso com a autoridade de quem fez uma pesquisa sobre auto-exposição na internet, e pode perceber que quanto maior o nível acadêmico, mais distante da internet usada socialmente estavam aqueles que responderam à pesquisa.] Então, melhor não tocar no assunto. Rejeita o artigo, diz que não presta de jeito nenhum, nem tem condição de ser consertado... Muito mais fácil do que abrir a cabeça para coisas novas, e admitir que não sabe tudo sobre todas as coisas.   Bom, seja lá pelo motivo que seja, fui chamada de incipiente e insipiente (iniciante e ignorante, segundo o Pai dos Burros). Pior é que não sei - nem saberei - quem foi o lindo (ou a linda) que me classificou nesse nível. E nem posso mandar um e-mail daqueles bem escritos, solicitando maiores justificativas para a rejeição, porque vai que eu mando um outro artigo, e cai, por sorte, pra outro avaliador? Se reclamar, fico "fichada", e é ruim pro meu currículo Lattes (oh, por que tenho que me sujeitar a isso e dar tanta importância a ele, Jesus?!).

Hoje à tarde passei pela triste experiência de enterrar o pai de uma das minhas melhores amigas. Um vovozinho de 88 anos que era nossa companhia constante nas manhãs de sábado na AABB, louco por casquinho de aratu e coca-cola, mas que nunca pedia uma coca, porque o que ele tomava mesmo era suco de cajá... mas "roubava" a coca de quem vacilasse deixando metade na latinha. Pois em 40 dias ele passou de um bem humorado comilão para um idoso com refluxo gástrico que vomitava se comesse um tantinho que fosse. E aspirou vômito, o que gerou uma pneumonia, e complicou pra uma infecção pulmonar, embolia e não sei mais o que... e depois de 12 dias na UTI uma parada cardíaca levou o pai da médica que se sentiu mais impotente do que nunca.

Em meio às recordações de momentos gostosos batia a dor da saudade, e as lágrimas escorriam sem pedir licença. E enquanto o caixão era levado pelos 5 filhos e um neto, minha amiga me abraçava e dizia: "como dói, como dói! Eu sou a primeira filha, você é a única... você vai ver quando for Seu Abel dentro de um caixão, como dói..." E eu sei que dói, doeu e doeu muito ver seu Ed inerte e pensar que as manhãs na AABB jamais serão as mesmas. E não sei se foi por ele, por Stela ou por mim mesma que hoje eu acordei como se tivesse tomado uma surra de pau, doía o corpo inteiro, e pra conseguir chegar ao velório de novo (voltamos de lá ontem quase meia-noite) foi na base do banho frio e do Red Bull. Se doeu assim, hoje... nem imagino o quanto vai doer quando chegar a minha vez de me despedir dos meus velhinhos, e pior, se tiver que me despedir antes dos meus filhotes ou de Marido. O fato é que no nosso DNA psicológico (emocional, espiritual, sei lá) não está inserido o gene da morte nem o de aceitação dela. Juro que não me importo de ir, tenho paz quanto a isso, mas ficar é que é o duro.

Enfim, acho que a agonia passou, já vomitei tudo e agora vou tomar um chazinho de canela ou de camomila pra acalmar o estômago. Mais uma vez peço desculpas por misturar tantos assuntos diferentes num post só, mas de fato eu risco pelo menos 4 ítens da minha listinha TO DO de uma vez só.

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