8.1.11

"A dor é de quem tem"

Ouça enquanto lê:
Não, Marido não me deixou, é só uma reflexão puramente teórica sobre as dores interiores, se é que na vida tem teoria.

Quem me lê há mais tempo conhece a minha Teoria da Dor da Hora, que resumidamente diz que a pior dor que a gente sente é a dor de agora. Depois que passa, ela deixa de ser a maior, e a maior sempre será a dor da hora.

E não por acaso, só pode saber o que a gente está sentindo, quem já sentiu igual. Não dá pra falar de enxaqueca com quem só tem dor-de-cabeça-básica. Ou de coisas de grávida com quem ainda não foi mãe. E nem de tentativas de engravidar e aborto espontâneo com quem nunca teve filho. Não tem como falar o que é uma doença grave na família ou perda de pai-mãe-filho com quem tem todos os seus ainda por perto e saudáveis. Nem de uma separação dolorida, traição, divórcio complicado com quem é bem casada com o primeiro marido. Por mais empatia que se tenha ou busque ter, você só SABE se um dia já sentiu aquilo. E não discuta, porque quem está falando aqui sofre na pele o fato de ser filha única e não fazer idéia do que é ter um irmão pra brigar/amar/dividir/disputar... Eu não entendo NADA de ser irmã, nunca fui.

Da mesma maneira, as reações às situações são diferentes pra cada pessoa. Alguns, como eu, se sentem melhor quando repartem o problema, quando contam aos quatro ventos, ao éter e até mesmo na internet o que está incomodando. Outros curtem suas dores e seus problemas calados, pensando, refletindo, ruminando... sozinhos, sem dividir a carga nem com quem lhe é mais caro, pensando em proteger, poupar, seja lá o que for.

Como disse, eu não sou assim, de aguentar problema calada. Mas, e quando o problema não é só meu? Quando envolve outras pessoas, e essas pessoas têm outra opinião sobre como encarar o tal problema? É duro.

Estou numa sinuca de bico dessas, com problemas que são plenamente meus, mas não somente meus. E, como lidar com esse lance de expor, falar, até onde falar, como fazer as pessoas entenderem os limites de interferência na situação, mesmo as pessoas mais queridas? Até onde tenho o direito de proteger, decidir quem sabe ou não sabe, e o quanto sabe? A dor é de quem tem, a dor e minha, e de mais ninguém, mesmo? Sério? Não sei. Estou indo na base do feeling, repartindo o problema às vezes com as pessoas menos próximas, que não têm o poder de interferir, digamos assim. E protegendo os mais próximos dos detalhes mais duros e cruéis, afinal de contas, cada um tem seus problemas pra resolver e nem sempre se está pronto para receber mais um fardo pesado nas costas. E me pergunto ainda: A quem estou "protegendo", quando não compartilho a parte mais pesada da situação? A mim? Aos outros envolvidos? A quem é poupado de saber detalhes? A ninguém?

Dessa vez eu preferia me fechar em copas, e aguentar o tranco sozinha, quero dizer, não sozinha, sozinha, mas internamente, na família restrita. Porque é difícil dizer a quem vem visitar: visita quebra a rotina e atrapalha, querendo ajudar. Queria poder dizer, na boa: orem, mas não visitem. Estejam atentos, mas sem interferir. Espero que não se chateiem, mas entendam. Afinal de contas, são amigos, são queridos... podem entender, não podem? Ou não, como saber?... Como saber se estou agindo certo, se é pra ser assim, ou de outra maneira?

Enfim, quem não se sentir à vontade pra comentar, neste post, relaxe. Ou trate a coisa somente na teoria, como eu tentei fazer, e não sei se consegui.

Bom sábado de sol pra vocês!

5 comentários:

Jady disse...

Preá...

Eu acho que em situações assim as decisões nunca vão ser (nem podem ser) definitivas. Então siga seu coração e fale ou cale de acordo com o desejo dele.

Beijo e eu tou aqui viu?

Tucha disse...

Gostaria de estar ai para ficar ser pelo menos ombro e braço de apoio, sei que o momento é delicado. Ligo pra vc mais tarde.

Carla Ceres disse...

Força, Bel! Não preciso saber do que se trata. Se é sério e importante pra você, já posso orar e torcer pela solução. Oremos, pois. Beijos!

Gaby Almeida disse...

Eu concordo com a sua teoria de que só sabe a dor que já passou. Quando tenho problemas meus, dores minhas, nunca envolvo pessoas proximas, pra evitar palpites, sempre falo no blog, que ai as pessoas que estão de fora podem ver a situação de uma forma mais clara. Acho que vc deve seguir seu coração e tomar a decisão que for melhor pra vc nesse momento.

Patricia Daltro disse...

Bel, quando por conta de uma dor similar a sua (explico por e-mail) fiz uma poesia que dizia: "A dor é minha, pessoal e intrasferível" E é assim que vejo você nesse momento. Natural que não saiba como agir (lembra, a vida não tem manual), deixe seu coração te orientar, não porque ele não erre, pq às vezes, ele erra sim, mas pq se errar, foi um erro por amor, por pensar na melhor maneira de lidar com toda essa situação.
De todo meu coração desejo a você muita força, muito amor e saiba que peço por você e por sua mãe todos os dias! Te amo, amiga, fica bem...