30.5.11

A mudança

Quase dois anos depois, a história se repete: MUDANÇA.

A princípio este post era pra falar da mudança, incluindo o vídeo da gente estourando plástico-bolha com os pés… mas uma frase parou na minha mente: “mudam os ventos, mudam as estações…” joguei no Google e eis a música que fez o post deixar de ser diarinho pra ser um papo cabeça, bem auto-terapêutico.

A vida é curta. É curta pra sonhar.
Não sonhe demais senão não vai realizar.
Há sonhos que vem. Há sonhos que vão.
Sempre sobram lembranças de uma outra estação.
Mudam os dias, mudam as estações.
As horas mudam, mudam as canções.
As pessoas mudam.
Mudam os pensamentos.
As nuvens mudam.
Muda o sentido do vento.
Há dias lindos, há dias muito tristes.
Quando tudo se foi, uma esperança ainda existe.
Na vida tudo muda.
Muda a própria vida.
A vida é pai e mãe.
É qualquer pergunta respondida.
Mudam os dias, mudam as estações.
As horas mudam, mudam as canções.
As pessoas mudam.
Mudam os pensamentos.
As nuvens mudam.
Muda o sentido do vento.
Mudam os dias, mudam as estações.
As horas mudam.
As pessoas mudam.
Mudam os pensamentos.
As nuvens mudam.

Quem me conhece sabe que nos últimos cinco anos – bem o tempo desse blog – minha vida mudou, e muito. Eu tinha uma vida de calmaria num casamento aparentemente feliz que desmoronou e me jogou numa sequência de acontecimentos altamente traumáticos. O casamento acabou, e foi terrível, achei que nem ia sobreviver. Mas sobrevivi, e a pior parte não foi o casamento ter acabado, foi a atitude de meus pais.

Meus pais, as pessoas de quem eu mais esperei apoio, simplesmente não somente não me entenderam, como ficaram contra mim. Na cabeça deles, separação inexistia. “Uma mulher casada tem que aguentar qualquer coisa – incluindo traição – para manter o casamento.” Este era o pensamento, que gerava uma exigência de que eu abrisse mão do que sentia e pensava, de todas as minhas dores,  em detrimento de “manter o casamento”.

Fiquei sozinha, estava somente estudando, sem trabalhar, com uma filha morando fora e outro sob meus cuidados e sem um centavo pra comer ou vestir. A única coisa segura era a minha casa, o teto que me cobria. Mas pra cada despesa, mínima que fosse, precisava pedir dinheiro a meu pai. Tive ajuda financeira de pessoas que nem conhecia pessoalmente, mas que me entendiam e apoiavam… teve quem explicitamente me mandou ajuda em espécie…  teve gente que inventava trabalho pra mim, maneiras de me fazer ganhar dinheiro… teve quem fizesse planilha de custos pra eu me reorganizar financeiramente… enfim, amigos que me deram o apoio que faltou dos meus pais.

Não os recrimino completamente. Claro que não gostei do que vivi, mas eles fizeram isso porque acreditavam MESMO que o casamento é único e é pra sempre. Dois anos se passaram, e quando eu estava conseguindo reconquistar o respeito e a amizade deles, eu cometi outro pecado, aparentemente imperdoável: comecei a namorar “outro homem”. Não bastava ter terminado um casamento, a filhinha querida precisava voltar a ter vida afetiva? Nem sei como tive forças, tenho certeza de que foi a força do amor e o apoio de Namorado que me ajudaram a  enfrentar as cobranças e conseguir chegar onde estamos hoje. Sim, onde ESTAMOS, nos vários significados da frase.

O namoro ficou sério (mentira, já nasceu sério!) e em quatro meses juntos já falávamos em casamento. Como meu divórcio demorou de sair, resolvemos ir morar juntos, exatamente um ano depois da idéia do casamento surgir. E isso foi mais uma facada no coração dos velhos. Meu coração já nem tinha mais lugar onde tomar facada, só precisava ser costuradinho, e o amor e os amigos cuidaram bem dessa parte, Deus foi bom comigo!

Namorado até teve medo, mas enfrentou a fúria dos velhos, e com jeitinho dobrou os dois. É claro que demorou um bocado, mas as atitudes de cuidado e desprendimento, especialmente nos momentos de crise na saúde dos dois mostraram pra eles que não valia a pena ficar contra uma situação de felicidade, contra um amor que só fazia bem à filha deles e a eles também.

Quando fomos morar juntos, resolvemos não ficar nem na minha casa nem na dele, mas procurar um terceiro lugar, um campo neutro, sem vícios, onde iríamos construir juntos os hábitos diários e os lugares de cada coisa, sem que nenhum de nós se sentisse intruso na casa do outro. E na minha casa era mesmo impraticável, já que era no apartamento debaixo do apartamento de meus pais. Fomos então pro nosso cantinho, delicioso, com vista pro mar e pra floresta (veja aqui) e seis meses depois o casamento saiu e os velhinhos conseguiram não somente entender e aceitar, mas ter prazer e ficar felizes com a nossa vida e o nosso amor.

Olha a carinha deles, chegando no fórum:

Casamento 26-02-2010 141

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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E até foi a palavra dele que abençoou nosso casamento, oficialmente:

Casamento 26-02-2010 351

Enfim, eu voltei a ser uma mulher casada, feliz e nós todos voltamos a ser uma família feliz. Só que teve toda aquela agonia de doença dos dois, e nossa casa era relativamente longe, e foi mesmo um sufoco ficar correndo de lá pra cá, até que tomamos uma decisão: Vamos “voltar” pra casa. Quero dizer, eu ia voltar, porque Marido nunca morou aqui. Mas a sensação é essa mesmo, de retorno. De mudança de volta ao ponto de partida. E por isso, a música “Mudança” fez toda diferença nos rumos do post. E eu vou repeti-la, só pra vocês não precisarem rolar a página pro começo, novamente.

A vida é curta. É curta pra sonhar.
Não sonhe demais senão não vai realizar.
Há sonhos que vem. Há sonhos que vão.
Sempre sobram lembranças de uma outra estação.
Mudam os dias, mudam as estações.
As horas mudam, mudam as canções.
As pessoas mudam.
Mudam os pensamentos.
As nuvens mudam.
Muda o sentido do vento.
Há dias lindos, há dias muito tristes.
Quando tudo se foi, uma esperança ainda existe.
Na vida tudo muda.
Muda a própria vida.
A vida é pai e mãe.
É qualquer pergunta respondida.
Mudam os dias, mudam as estações.
As horas mudam, mudam as canções.
As pessoas mudam.
Mudam os pensamentos.
As nuvens mudam.
Muda o sentido do vento.
Mudam os dias, mudam as estações.
As horas mudam.
As pessoas mudam.
Mudam os pensamentos.
As nuvens mudam.

Sim, as pessoas mudam. Eu mudei, eles mudaram… e agora nós mudamos. Deu pra entender?

Ah, nem pensem que com toda essa história eu vou esquecer de colocar o vídeo do plástico-bolha, não vou mesmo!!! Ó aí, é rapidinho:

 

4 comentários:

Luciane disse...

oi florzinha...

é muito bom te ver feliz...

aproveitem e curtam a casa nova, porque é tudo de bom , digo por experiência própria rsrsrsrs...

Amo estourar plástico bolha!!!!

bjus

Aline Monteiro disse...

Bel, que texto mais lindo!
Nem sei te dizer o que me emocionou mais. Se foi você lutar pela sua felicidade, se foi a forma como Marido conquistou seus pais, se foi a harmonia que eu vejo em vocês dois, se foi a mudança toda que se operou na sua vida.
Já te disse que você é um exemplo pra mim??
Bjo pra você, pra toda a família e muito, muito, muito sucesso na casa nova.

Carla Ceres disse...

Bel, que história! Eu fazia uma vaga ideia de sua vida. Cheguei ao blog na hora das vitórias. Quer saber? Tomara que essas vitórias continuem pra sempre. Você já sofreu demais e, mesmo assim, continuou sendo boa filha. Você merece ser feliz. Beijos!

Malu disse...

Uma confissão de enternecer o coração! Que as mudanças venham sempre...
Uma observação - sua mãe é a carinha da minha mãe. Apenas a minha tem os cabelos um pouquinho mais curtos...
Mas parecem irmãs... rs rs rs
Um beijinho