27.7.11

O poeta apaixonado

Estou in love com o CD novo de Chico, que comprei na pré-venda e ouvi as músicas antes, assisti o lançamento na net (notebook conectado na TVzona) com Dinah… e juro que nem tinha gostado.

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Mas é aquilo, muitas vezes as canções não são “de assoviar”, e a gente precisa ouvir um monte de vezes pra poder gostar. Até comentei com Didi que gostava mais de Chico no tempo de Marieta, as músicas eram mais ricas de sentimento, de poesia, de tudo. Cheguei a dizer: “A atual (Thais Gulin) não está fazendo bem pra ele…”

Pra entender melhor, quem tiver tempo pode assistir à entrevista dela (TG) no programa do Jô.

(Antes de continuar, vou logo dizendo que existe a grande possibilidade do próprio Chico chegar aqui e ler este post, já que ele agora está na internet, completamente diferente do que mostrou num dos DVDs da série, que eu tenho todos)

Em Off: Achei a Thais um nojo, só porque ela conseguiu fisgar o meuamordavidatoda em meu lugar. Pensem aí: ele ME trocar por ela??? Que absurdo! Mas, enfim, ela conseguiu chegar junto, e eu não. Então me deixem com o meuamordeverdade e apaixonada por meuamordavidatoda mesmo que ele tenha me traído. Engraçado é que com Marieta eu não me sentia traída, talvez porque ela tenha chegado antes de mim, antiguidade é posto, já diz o ditado popular. Mas eu cheguei antes de Thais, então…

Mas ao mesmo tempo em que falo mal desse romance de Chico aqui, vou falar bem. Naquela tarde em que fiquei com Dinah ouvindo as músicas, tentando identificar o momento dele nas letras – já que o disco é completamente autoral – chegamos a uma dolorosa conclusão que nem é nova: Chico está apaixonado e feliz! Por isso as canções não são tão ricas! Já dizia Vinícius: “O poeta só é grande se sofrer”…

Então a moça está fazendo Chico feliz. Como ele mesmo disse, “o disco é cheio de amor pra dar…” e é nesse álbum que pela primeira vez ele se coloca aos pés da mulher. Porque em toda a sua discografia ele representa muito bem a mulher apaixonada, aquela que se rasga pelo seu homem, a que se diminui por seu amor… mas não é como Vinícius, que idolatra a mulher. A não ser em Cecília, não me recordo de outra canção em que ele fosse “o homem apaixonado”. Mas agora… O homem, o sessentão, está arriado pela mocinha, que tem metade da idade dele. Isso seria um mero detalhe, se ele mesmo não tivesse arregaçado os sentimentos em “Essa Pequena”, mostrando a consciência que tem das diferenças entre eles, de que pode nem durar, mas “o blues já valeu a pena”:

Meu tempo é curto
O tempo dela sobra
Meu cabelo é cinza
O dela é cor de abóbora
Temo que não dure muito
A nossa novela, mas
Eu sou tão feliz com ela


Meu dia voa
E ela não acorda
Vou até a esquina
Ela quer ir pra Flórida
Acho que nem sei direito
O que que ela fala, mas
Não canso de contemplá-la

Feito avarento conto meus minutos
Cada segundo que se esvai
Cuidando dela que anda noutro mundo
Ela que esbanja suas horas
Ao vento, ai

As vezes ela pinta a boca e sai
Fique a vontade, eu digo
Take your time
Sinto que ainda vou penar com essa pequena, mas
O blues já valeu a pena

Nem precisa comentar, né?  E completa tudo em “Tipo um Baião”:

Não sei para que
Outra história de amor a essa hora
Porém você
Diz que está tipo a fim
De se jogar de cara num romance assim
Tipo para a vida inteira

E agora, eu
Não sei agora
Por quê, não sei
Por que somente você
Não sei por que
Somente agora você vem
Você vem para enfeitar minha vida

Diz que será
Tipo festa sem fim

É São João
Vejo tremeluzir
Seu vestido através
Da fogueira
É carnaval
E o seu vulto a sumir
Entre mil abadás
Na ladeira

Não sei para que
Fui cantar para você a essa hora
Logo você
Que ignora o baião
Porém você tipo me adora mesmo assim
Meio mané, por fora

E agora, eu
Não sei agora
Por quê, não sei
Por que somente você
Não sei por que
Somente agora você vem
Vem para embaralhar os meus dias

E ainda tem
Em saraus ao luar
Meu coração
Que você sem pensar
Ora brinca de inflar
Ora esmaga

Igual que nem
Fole de acordeão
Tipo assim num baião
Do Gonzaga

 

[Acho que entendi um bocado disso, porque mesmo com a diferença de idade sendo bem menor, já ouvi algo parecido da boca de Marido: “Em que é que eu fui me meter? Eu, que jurei que não casava nunca mais… “ e “A essa altura da vida eu não esperava viver tudo isso…”]

E não são somente essas, não. Praticamente todas as músicas são direta ou indiretamente pra ela. Até a insegurança, o ciuminho disfarçado na afirmação de “Sou Eu” é bonito de se ver: (Nem vou grifar nada, é a música inteirinha!)

Na minha mão
O coração balança
Quando ela se lança
No salão:
Pra esse ela bamboleia,
Pra aquele ela roda a saia,
Com outro ela se desfaz
Da sandália…

Porém depois
Que essa mulher espalha
Seu fogo de palha
No salão…
Pra quem que ela arrasta a asa?
Quem vai lhe apagar a brasa?
Quem é que carrega a moça
Pra casa?
Sou eu!

Só quem sabe dela sou eu!
Quem dança com ela sou eu!
Quem manda no samba sou eu!

O coração
Na minha mão suspira
Quando ela se atira
No salão:
Pra esse ela pisca um olho,
Pra aquele ela quebra um galho,
Com outro ela quase cai,
Na gandaia…

Porém depois
Que essa mulher espalha
Seu fogo de palha
No salão
Pra quem que ela arrasta a asa?
Quem vai lhe apagar a brasa?
Quem é que carrega a moça
Pra casa?
Sou eu!

Só quem sabe dela sou eu!
Quem joga o baralho sou eu!
Quem brinca na área sou eu!

 

Em “Nina”, ele mostra uma situação que viveu com ela: conhecer primeiro via internet, pra depois chegar ao conhecimento ao vivo.

Nina diz que tem a pele cor de neve
E dois olhos negros como o breu
Nina diz que,
embora nova
Por amores já chorou que nem viúva
Mas acabou, esqueceu

Nina adora viajar, mas não se atreve
Num país distante como o meu
Nina diz que fez meu mapa
E no céu o meu destino rapta
O seu

Nina diz que se quiser eu posso ver na tela
A cidade, o bairro, a chaminé da casa dela
Posso imaginar por dentro a casa
A roupa que ela usa, as mechas, a tiara
Posso até adivinhar a cara que ela faz
Quando me escreve

Nina anseia por me conhecer em breve
Me levar para a noite de Moscou
Sempre que esta valsa toca
Fecho os olhos, bebo alguma vodca
E vou...

Enfim, que bom que Chico está feliz. E apesar das diferenças, ele saiu ganhando a felicidade, e ela… bom, ela será, provavelmente, a única mulher a poder dizer: Chico compôs um CD inteiro pra mim! E isso é dela, ninguém toma! Bléh!

Ops! Eu também ganhei! Em Barafunda, quando ele se mostra um “velho” que está perdendo a memória e não lembra mais quem foi a mulher que “usava a saia amarela quando a Verde e Rosa saiu campeã”,  até EU tenho minha chance! Vejam:

Era Aurora, não, era Aurelia
Ou era Ariela, não me lembro agora
É saia amarela daquele verão
Que rola até hoje na recordação

Foi na Penha, não, foi na Glória
Gravei na memória, mas perdi a senha
Misturam-se os fatos, as fotos são velhas
Cabelos pretos, bandeiras vermelhas…

Foi Garrincha, não, foi de bicicleta
Juro que vi aquela bola entrar na gaveta
Tiro de meta
Foi na guerra, é noite alta
Gritou o astronauta que era azul a terra

Quando a Verde e Rosa saiu campeã
Cantando Cartola ao romper da manhã
Salve o dia azul, salve a festa
E salve a floresta, salve a poesia
E salve este samba
Antes que o esquecimento
Baixe seu manto, seu manto cinzento

Foi Glorinha, não, era Maristela
Juro que eu ia até casar na Penha com ela
A vida é bela é...

Não é, era Zizinho, era Pelé
Era Soraya, era Anabela, era amarela a saia
Foi quando a Verde e Rosa saiu campeã
Cantando Cartola ao romper da manhã
Salve o dia azul, salve a festa
E salve a floresta, salve a poesia
E salve este samba
Antes que o esquecimento
Baixe seu manto, seu manto cinzento

Era Aurora, não, era Barbarela
Juro que eu ia até o Cazaquistão atrás dela
A vida é bela
É Garrincha, é Cartola e é Mandela

 

Tudo bem, Chico, eu perdoo você ter acrescentado um “a” no final do meu nome. Mas fui eu, sim… fui eu, com a saia amarela! A vida é bela!!! (E eu sou Dura na queda!!!)

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“…bebeu veneno, e vai morrer… de rir!”

A propósito… Hoje é aniversário de Didi, Chicólatra que nem eu, [e que tem até foto com ele!] e aproveito para desejar muita música de Chico na sua vida, querida!

Didi e Chico

3 comentários:

Carla Ceres disse...

Tomara que ele leia. Acho que vai gostar. Beijos!

peripeciasusa disse...

So acredito que era vc se mostrar uma foto com uma saia amarela (imaginando vc correndo p achar uma foto de saia e photoshopar!) hahaahaha

Bel disse...

Ah, Alcy... eu nem tenho saia, quanto mais amarela (PS tá aí pra isso mesmo!) mas isso é uma questão puramente retórica. Era uma calça jeans, mas ele não lembra direito, pensa na saia "amarela" por causa da seleção... e eu era uma criança, né??? huahuahuahua