11.10.11

O Pequeno Príncipe voltou? Oh, dúvida cruel!

Soube por um tweet da Anita Efraim (filha da @rosana) que a editora Fontanar (Objetiva) vai lançar uma continuação dO Pequeno Príncipe, com aval da Fundação Exupéry.  A notícia, aparentemente simples, caiu como uma bomba sobre mim.

Digo que caiu como uma bomba porque o Principezinho faz parte da minha vida desde meus 13 anos. Foi um presente de uma grande amiga, que morreu logo em seguida, e que conservo até hoje, todo grifado, com canetas/lápis/hidrocor de cores diferentes, porque foi lido repetidas vezes, em várias fases da minha vida. E do jeito que li e reli, até sabê-lo quase todo de cor, sinto-me íntima de Exupéry.

Deixe-me dizer algo que pode ser uma novidade até para os mais entusiastas do autor francês: Existe a possibilidade de Exupéry já ter estado no Brasil, sofrido uma queda de avião [semelhante à relatada no livro] no litoral da Bahia, mais precisamente na Península de Maraú, no local conhecido por Campinho. Após essa queda, enquanto tentava consertar seu avião, ele conheceu uma mulher, negra, que o acolheu em sua casa. Viveram um breve mas tórrido romance, e nos meses em que viveram juntos, ela o ensinou a comer comida baiana e ele a ensinou a não tomar banho.

Conheci esta mulher em 1997 ou 98, não me recordo bem. Sei que alguém tirou foto minha com ela, mas não lembro quem foi, Fui procurar nos meus guardados, e encontrei a foto. Infelizmente no verso da foto não tem marcado a data… Conversamos muito, ela contou que ele não falava nada de português, mas em momento algum foi difícil se comunicarem. Mostrou algumas palavras escritas em francês num pedaço de madeira já gasto, uma antiga porta, que seria a carta de despedida e a marca de que ele estivera ali. Nessa ocasião, ela já tinha mais de 80 anos, nenhum dente e um mau cheiro insuportável, mas também tinha uma excelente memória, para contar detalhes dessa parte de sua vida.

11-10-2011 022

Confesso que não me dei conta da grandiosidade do momento, enquanto o vivia. Hoje penso que essa história está perdida, ninguém registrou nada, e vou parecer uma louca dizendo tudo isso, mas juro que é verdade. Procurei no Pai Google algo sobre o avião de Exupéry ter caído na Bahia, e não encontrei nada. [Bom, pode ser que agora as buscas futuras joguem aqui!]

Acho estranho nunca nenhum historiador ter registrado isso, mas não creio que seja mentira. O povo do local é muito simples, e todos falavam no assunto como se fosse algo comum… Marido é de opinião diferente, acha que se não foi registrado, então não aconteceu. E ainda me cobra posição de “pesquisadora”. Tá, eu sei o que vi, ouvi e vivi naquele dia de outubro de algum ano da década de 90. E é isso que estou dizendo aqui.

Mas voltemos ao assunto que foi o start deste post. Saber que alguém, [o argentino Alejandro Guillermo Roemmers] que não é o próprio Exupéry escreveu uma continuação da história, me faz tremer por dentro. Como alguém se dá ao desfrute de se igualar ao “meu” Exupéry? E logo um argentino!

“Como tantos que leram O Pequeno Príncipe, eu também captei a simplicidade de sua mensagem e compartilhei a tristeza de Saint-Exupéry quando o herói-criança, que alcançara as profundezas de meu coração, foi obrigado a retornar a seu asteroide. Muitas vezes perguntei a mim mesmo, o que aconteceria a essa criança tão especial se continuasse a viver entre nós. Como seria sua adolescência? Conseguiria preservar a inocência de seu coração?” indaga o poeta argentino A. G. Roemmers.

Ás vezes penso que vai ser lindo, outras penso que é um sacrilégio. Pensar que o Pequeno Príncipe não morreu ao ser picado pela Serpente, e que pode voltar, com novos questionamentos  como origem dos problemas, a dificuldade de ser adulto, o poder da amizade, o segredo da felicidade e a importância do amor… dá vontade de simplesmente acreditar que o próprio Exupéry não morreu e ele mesmo escreveu a continuação da história. Mas penso também que posso me frustrar, se a continuação não tiver o mesmo poder que teve o original…

Não sei o que esperar de mim, não sei o que fazer. Ignorar, fazer de conta que nem li a notícia,  ou correr e comprar na pré-venda? Oh, dúvida cruel…

Um comentário:

Célia disse...

Bel! Você aguçou minha linha de curiosidade, de pesquisa... pois também li, reli, treli o dito cujo do Pequeno Príncipe... Até o roubaram de mim... mas tudo bem... dizem que o livro tem que circular... então deve estar ou na Bahia... ou em algum asteroide por ai... se você o encontrar me avise, ok? Abraço, Célia.