22.11.11

Daquilo que não se nomeia

Já repararam que existem coisas/assuntos/doenças/pessoas que as pessoas não gostam de falar nem o nome? Tem gente que não fala “morte”, “azar” ou “câncer”, de jeito nenhum. Esse assunto renderia uma série de posts, com certeza bem densos e até doloridos. Sim, rendeRIA, pois não vai render. Se são coisas que não são agradáveis nem de dizer o nome, quanto mais de falar exaustiva e profundamente sobre?

Mas minha lista de inomeáveis é bem pequena, na verdade se resume a pessoas e situações que trazem más lembranças. Não tenho medinho de muita coisa, enfrento rato, barata, morcego e doença sem pensar duas vezes. E exatamente por isso, preciso falar.

Esta semana que passou foi dura. Passei por um aperto sobre o qual não posso falar, pois não quero que chegue aos ouvidos dos meus velhinhos. Mas foi tão baqueante que fiquei dois dias inteirinhos sem sair de casa, com a sensação de que a coisa iria se repetir, e… meu fígado reclamou: fui parar no pronto atendimento, enjoada como se estivesse grávida, arrotando azedo, toda ruim. O corpo sente e põe pra fora. A Dra. Acupunturista se assustou com o estado da minha língua (que reflete o resto do corpo).

Além disso tudo, no universo externo às minhas mazelas, nos últimos tempos perdi indiretamente várias pessoas. Um foi Eduardo Massami, que nem conheci, mas ouvi amigos queridos falarem tanto [e tão bem] dele que senti como se fosse mesmo um amigo meu que partisse. Outro nome japonês que sempre ouvi falar com apreço e admiração foi Tadashi Koshima, amigo de Marido, desde muitos anos, e que partiu cerca de um mês depois do melhor amigo [e patrão] dele, Martial Câmara. E hoje acabamos de voltar do velório de mais um amigo dele, Domingão.

Sabe o que tudo isso me diz? Me diz que a vida é breve, um sopro, como já dizia o sábio Salomão. E que tem épocas em que a morte ronda a gente como… não sei que figura usar, mas ronda. E a gente fica com medo, não de morrer, mas de perder quem a gente ama. E Marido resolveu brincar com isso, deixando a pressão subir e anunciando que “não passava dessa noite”, pedindo o último beijo, ao melhor estilo Drama King. E estou usando este espaço pra dizer que não gostei.

Não gostei de sentir a morte perto, não gostei de pensar que posso perder quem amo, não gostei da brincadeira. Mas apesar de não gostar, não posso fazer nada, né? Só torcer pra morrer antes dele. #ProntoFalei.

5 comentários:

Bel disse...

Amar e ser amada... eis a questão... Querer que a morte nos colha primeiro dos que amamos... ela é geniosa e faz o que ela quer... não adianta querer inverter certas situações! E, perder... é um verbo constante para quem vive! Abraço, Célia.

Bel disse...

Vou dar um puxão de orelha em vocês dois! Tratem de se cuidar de maneira ADEQUADA! Jogando o estresse pro lado e apostando na vida com todas as cartas! Afinal, quero tomar muita água de coco e jogar conversa dentro com vocês dois ai em Ilhéus! beijos e fiquem bem!

Bel disse...

A Patrícia Daltro tem razão. Tratem de se cuidar direito, vocês dois. E nada de brincadeirinhas sem graça ou torcidas pra morrer primeiro. Torçam pra viverem felizes e juntos o máximo possível. Beijos!

Bel disse...

Como dizia o poeta ela "é a indesejável das gentes", Mas aproveitar o tempo que nos cabe é a missão, carpe die...
Diga a marido para deixar de drama, ele fica melhor nas comédias românticas...

Bel disse...

Eu fiquei tão mal com a morte de Masami, sabe amiga, porque não podemos fazer nada, absolutamente nada, e fiquei me perguntando: será que deixei claro para ele que o admirava? será que deixei claro que ele era especial? e agora corro contra o tempo, para dizer com ações, gestos, carinho, afago, palavras, para todos que estimo, que eu os admiro, que gosto da presença deles em minha vida. Por isso repito aqui, te amo Bel. Sinto falta de te encontrar, como fazíamos, durante dois anos, num dos corredores da UESC, para apenas dar um abraço e seguir o dia, com mais alegria, porque nos fortalece abraçar os amigos queridos, os irmãos de alma. bjs