26.1.12

Ecologicamente incorreta. Ou não.

Depois de ler, quem quiser me apedrejar virtualmente, fique à vontade. Mas só virtualmente, tá bom?

Há algum tempo recebi via e-mail este texto, e encaminhei para alguns amigos. Acho que, no dia em que as sacolinhas de plástico foram sumariamente banidas dos supermercados (oi?) ele cabe bem. [Em São Paulo, pelo que ouvi na TV. Por aqui ainda se encontram “sobreviventes” à chacina dos sacos plásticos]

Eu confesso: tenho ZENTAS ecobags, de modelos e tamanhos diferentes, compradas e ganhadas, mas NUNCA usei. Elas ficam lá, no cabide, ocupando espaço e se enchendo de mofo, na terrível humidade de mais de 90% aqui da Capitania. E a cada vez que vou ao supermercado, trago pra casa as sacolinhas que me oferecem. [Estranhei, quando na Europa qualquer compra é levada solta na mão, mas eles dão quando a gente pede. Eu pedi sempre, achava estranho colocar solto na bolsa, parecia que estava roubando algo, como um adaptador de tomada, um remédio pro nariz...]

Reutilizo as meliantes do ambiente para colocar lixo diariameente, sandálias e sapatos em malas, transportar pequenos objetos,  enfim, elas têm, sim, outro uso, que não apenas trazer as compras do mercado.

Mas o caso é que colocaram a culpa do desacerto do mundo no saco plástico.  Como se acabar com as sacolinhas fosse resolver tudo, como se, de um momento pra outro, não comprássemos mais sacos para lixo, como se  o plástico do saco “pra lixo”, vendido em rolos ou pacotes de 10, 20, 30 ou 50 fosse menos prejudicial, ou se desintegrasse em 100 anos, em vez de 200. Como se os copos descartáveise garrafas pet não tivessem sua parcela de culpa, como se mudar todo o mecanismo de funcionamento da vida fosse simples assim.

A @bbel desabafou no twitter:

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e é isso mesmo, nem sempre eu vou ao mercado planejadamente. Agora tem que andar com a sacola a reboque, ad eternum? Eu gostaria de poder escolher ajudar o planeta de outras formas, e continuar trazendo as sacolinhas cheias das compras da semana.

Não me passaram a autoria do texto, então, se alguém souber, por gentileza, me informe, para creditar devidamente.

 

"Na fila do supermercado o caixa diz uma senhora idosa que deveria trazer suas próprias sacolas para as compras, uma vez que sacos de plástico não eram amigáveis ao meio ambiente. A senhora pediu desculpas e disse: “Não havia essa onda verde no meu tempo.”

O empregado respondeu: "Esse é exatamente o nosso problema hoje, minha senhora. Sua geração não se preocupou o suficiente com  nosso meio ambiente. "

"Você está certo", responde a velha senhora, nossa geração não se preocupou adequadamente com o meio ambiente.

Naquela época, as garrafas de leite, garrafas de refrigerante e cerveja eram devolvidos à loja. A loja mandava de volta para a fábrica, onde eram lavadas e esterilizadas antes de cada reuso, e eles, os fabricantes de bebidas, usavam as garrafas, umas tantas outras vezes.

Realmente não nos preocupamos com o meio ambiente no nosso tempo. Subíamos as escadas, porque não havia escadas rolantes nas lojas e nos escritórios. Caminhamos até o comércio, ao invés de usar o nosso carro de 300 cavalos de potência a cada vez que precisamos ir a dois quarteirões.

Mas você está certo. Nós não nos preocupávamos com o meio ambiente. Até então, as fraldas de bebês eram lavadas, porque não havia fraldas descartáveis. Roupas secas: a secagem era feita por nós mesmos, não nestas máquinas bamboleantes de 220 volts. A energia solar e eólica é que realmente secavam nossas roupas. Os meninos pequenos usavam as roupas que tinham sido de seus irmãos mais velhos, e não roupas sempre novas.

Mas é verdade: não havia preocupação com o meio ambiente, naqueles dias. Naquela época só tínhamos somente uma TV ou rádio em casa, e não uma TV em cada quarto. E a TV tinha uma tela do tamanho de um lenço, não um telão do tamanho de um estádio; que depois será descartado como?

Na cozinha, tínhamos que bater tudo com as mãos porque não havia máquinas elétricas, que fazem tudo por nós. Quando embalávamos algo um pouco frágil para o correio, usamos jornal amassado para protegê-lo, não plastico bolha ou pellets de plástico que duram cinco séculos para começar a degradar.

Naqueles tempos não se usava um motor a gasolina apenas para cortar a grama, era utilizado um cortador de grama que exigia músculos. O exercício era extraordinário, e não precisava ir a uma academia e usar esteiras que também funcionam a eletricidade.

Mas você tem razão: não havia naquela época preocupação com o meio ambiente. Bebíamos diretamente da fonte, quando estávamos com sede, em vez de usar copos plásticos e garrafas pet que agora lotam os oceanos. Canetas: recarregávamos com tinta umas tantas vezes ao invés de comprar uma outra. Abandonamos as navalhas, ao invés de jogar fora todos os aparelhos 'descartáveis' e poluentes só porque a lámina ficou sem corte.

Na verdade, tivemos uma onda verde naquela época. Naqueles dias, as pessoas tomavam o bonde ou de ônibus e os meninos iam em suas bicicletas ou a pé para a escola, ao invés de usar a mãe como um serviço de táxi 24 horas. Tínhamos só  uma tomada em cada quarto, e não um quadro de tomadas em cada parede para alimentar uma dúzia de aparelhos. E nós não precisávamos de um GPS para receber sinais de satélites a milhas de distância no espaço, só para encontrar a pizzaria mais próxima.

Então, não é risível que a atual geração fale tanto em meio ambiente, mas não quer abrir mão de nada e não pensa em viver um pouco como na minha época?”

Então, quem é o fanfarão, agora???

 

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