5.3.12

O livro. (Diário de Viagem - 11)

Sabe aquelas coisas que acontecem quando têm que acontecer? Pois estou vivendo uma delas.


Sempre quis ler Comer, Rezar, Amar, de Elizabeth Gilbert. Mas, não me perguntem o motivo, nunca comprei. Nunca nem olhei nos sites em que normalmente compro livros. E não era a desculpa do Mestrado, não, pois mesmo na época do Mestrado  comprei vários livros na categoria de “extras”. Várias pessoas prometeram que me emprestariam (se você é uma delas, obrigada por não ter cumprido!) mas a única que cumpriu foi Nancy, e eu o trouxe de Ubaitaba City algumas semanas antes dessa viagem, e o guardei junto da bagagem, planejando lê-lo nas horas vagas, que imaginei, seriam muitas. O fato é que o momento de ler este livro foi AGORA. E TINHA que ser AGORA. Era esse o tempo que eu tinha, sozinha, pra pensar em mim.


Coincidentemente (?) Comer, Rezar, Amar foi o filme em cartaz no cinema do navio, em nosso primeiro dia de navegação, mas optei por não assistir, já que estaria lendo, e não queria “sujar” minha imaginação, dando cenários e rostos aos personagens. Foi a melhor coisa que fiz.

Se você já leu e não gostou, ou se o livro não mexeu com você, ignore o restante do post. Mas se você teve ALGUMA experiência quando leu o livro, vai poder entender minimamente o que se passou comigo.


Ela precisou de um ano e três lugares diferentes. Eu precisei de três dias e uma viagem de navio para entender que vivi quase que exatamente as mesmas experiências,  não explicitamente, mas em sua essência.



Eu gostaria de poder repartir tudo que está borbulhando em mim nesse instante… em que estou me sentindo no centro da felicidade, capaz de passar horas comigo mesma, sem sentir dor ou desconforto, com o coração transbordando de amor. Mas não posso. São palavras que não me chegam aos lábios (ou às mãos) e só consigo pensar que tenho que comprar um livro pra chamar de MEU, pra poder grifar e riscar, sem correr o risco de apanhar da dona dele! (Desculpe, irmã, eu sei que você não me bateria se eu tivesse grifado, mas eu resisti. Eu tenho que ter o meu livro!)


Penso que para algumas das maisdenãoseiquantas milhões de pessoas que leram, este não passou de mais um romance água com açúcar, de uma historinha pra distrair mulheres. Mas pra mim foi muito além da história. Foi uma descrição de experiências que eu vivi em outros níveis, como se eu mesma pudesse ter escrito essa história, com as três partes bem definidas.



Enquanto eu lia, só pensava que precisava ler de novo, só sentia que sim, aquilo era real, e só imaginava COMO iria escrever sobre isso. Agora já sei que não tenho COMO escrever. Só precisava dizer que bateu fundo lá dentro, e que eu agradeço a Deus por saber que pelo menos uma outra mulher é capaz de sentir o que eu sinto. Smiley piscando

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