19.6.12

Complexo de Gabriela

Estréia de Gabriela 18-06-2012 046
Telão na frente do Vesúvio, para assistir o primeiro capítulo
Porque ontem foi a estréia do remake de Gabriela, e porque já teve gente caindo no meu blog pelo Google…
Fiquem com um texto da série “Clássicos Republicados”, com algumas alterções. Escrito em 30/06/207, comentários atuais em itálico, entre colchetes.

"Eu nasci assim,
eu cresci assim,
e sou mesmo assim,
vou ser sempre assim,
Gabrieeeeela...
Sempre Gabrieeeeela..."

Eu não tenho.

Sou uma eterna mutante.

Já fui loira do cabelo cacheado, já cortei tipo "joãozinho", já tive o cabelo abaixo da cintura (Deuzemais!)... hoje deixo do jeito que tá ficando bom. No momento está preto, pouco acima do ombro e curtinho. Mas pra cortar, encrespar, frizar, trançar e mudar de cor... basta ter vontade.

Já abri a boca pra falar mal de rock, hoje adoro umas baladinhas e até algo mais pesado.

Já achei que casamento era pra sempre. Hoje vejo que nada é pra sempre. [Mas espero que meu casamento atual dure até que a morte…ops!]

Já fui totalmente controlada por um relógio, que me dizia o que fazer a cada 15 min. Hoje nem tenho mais relógio, uso o celular e mesmo assim, sem muita agonia.

Já tive complexo por ser magra demais, por ser gorda demais, e hoje não tenho nenhum.

Já achei que sabia muito, hoje tenho certeza de que sei muito pouco.

Já virei noites chorando por achar que podia dar jeito numa situação que se mostrou irremediável. Hoje sei que nada vale uma noite de sono perdida. E nem minhas lágrimas, que não sejam de felicidade ou de outra emoção boa.

Já fui amante da Canon... hoje me amarro na Sony. [Experimentei a Nikon, voltei pra Canon e hoje, A MINHA – seja ela qual for – é que é a boa!]

Já deixei de usar calça comprida pra só usar saia e vestido... depois deixei de usar vestido e saia pra só usar calça... hoje uso o que eu quero, independente de ter uma costura no meio ou não.

Já fui ao Rio e fiquei do Congresso pro Hotel, não saí pra passear, com medo da violência (em 1994). Já fui ao Rio e andei sozinha à noite, me sentindo completamente segura e sem medo (em 2005 e 2006). Hoje não sei se teria coragem de ir ao Rio. [Já fui outras tantas vezes ao Rio, sem medo de ser feliz! E fui!!!]

Já disse que não usaria branco porque engorda. No último reveillon, virei o ano de branco... e de vestido, descalça na areia em Salvador. [Só usei esse vestido essa única vez. É bom que seja dito!]

Já disse que não ia mais comprar roupa preta. Hoje sei que o preto e eu combinamos muito bem... me sinto perfeita no preto, básico ou escandaloso, tanto faz.

Já disse que odiava axé music (e continuo odiando). Mas já pulei um tanto ao som de Jammil - e adorei! [Inclua no ódio: arrocha, pagode, tecnobrega e afins]

Já engoli muito sapo, e fiquei engasgada. Também já deixei passar muito mosquito na sopa. Hoje acho que nem carne de rã é pra mim, e tenho uma peneirinha pra pescar os mosquitos. Ao mesmo tempo, já estourei no primeiro sopro, e hoje sou como bambu, que sabe que tem que envergar pra não quebrar.

Já disse que odiava sarapatel... e hoje (literalmente) se tiver a opção... tô dentro!

Já fui chocólatra e devota da coca-cola. Hoje chocolate me faz mal – literalmente – e a coca-cola foi banida das compras de mercado aqui em casa. Só tomo se não houver outra opção, pela ordem: Água de côco, Nestea ou Icetea, suco de pêssego de latinha e até água com gás.

Já fui extremamente inflexível e legalista. (É pra ser redundante mesmo). Hoje sou mais maleável e complacente. Inclusive comigo mesma.

Mas continuo acreditando em lealdade, fidelidade, honestidade, e principalmente em sinceridade. Continuo gostando de ver fotos e livros impressos em papel, mas já aceito que o digital chegou pra ficar. Continuo odiando rotina seja em que circunstância ou sentido for. E continuo vivendo a responsabilidade da coerência, até em minhas mudanças.

Imagino que quem viva repetindo o mantra de Gabriela viva muito mal. Eu não saberia ser assim.

Reveillon no Espanhol, 2006/2007.
Foto By Outra Bel

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