14.11.12

Devaneios de mãe

Tem certos dias em que eu penso em minha gente e sinto assim todo o meu peito se apertar… Não, não é a canção de Chico, Vinícius e Garoto. É a minha realidade.

Mãe que mora longe das crias fica meio besta (ou besta e meia), sentimental, carente… e tem certos dias em que o peito aperta de verdade. Aí, a mãe em questão [eu, mas penso que outras sentem igual] tenta encontrar maneiras de aliviar essa saudade doida e doída que chega sem pedir licença e só vai embora depois de um telefonema, uma sessão de facetime ou Skype, ou um mergulho nos momentos passados, através de fotografias.

Recentemente passei duas semanas com Line e uma com Kiko. As duas semanas com ela foram daquelas de sonho, viajando, rindo, curtindo, dividindo o xampu e a cama de casal… a semana com ele foi diferente, foi de experiência de trabalho, vendo ele sair de casa antes das 6 da manhã e voltando depois das 9 da noite… pouco tempo pra conversar com quem já é, por natureza “fechado” (ou reservado, whatever). Mas foram, cada uma a seu modo, semanas especiais.

Quando eles eram pequenos, que não desgrudavam de mim durante a semana (eu trabalhava na escola onde eles estudavam, então…) mas me davam carta de alforria no final de semana quando iam pra casa dos avós, em Olivença, era um equilíbrio legal. Eu fui a mãe que fez dengo, sentou no chão pra brincar, leu histórias, alfabetizou, cantou pra que dormissem… impôs limites, criou regras e era “militar” em certos momentos, mas deu toda liberdade de expressão, desde que houvesse respeito.

Eles foram crescendo e eu fui me tornando a mãe-amiga, que era boa companhia pra passeios, cineminhas, praia no meio de semana, “sócia” em empreendimentos de arte…Até que chegou o dia de baterem asas e irem viver suas vidas.

Passei a ser a mãe carente, que chorava de saudade, e que ficava triste quando os telefonemas rareavam, e que vasculhava os perfis das redes sociais pra saber a quantas andava a vida deles.

O tempo não pára, já cantava Cazuza, e hoje já me vejo perto de ser avó [vou apanhar por ter dito isso, mas é como me sinto mesmo] e fico pensando como eles se sairão ao chegar na posição de pai/mãe.

Com esse mundo tão diferente do que eles foram criados, será que vão conseguir passar tempo com suas próprias crias? Será que o que viveram vai pautar, de alguma maneira a vida que vão escolher dar a seus filhos? Será que vão cantar e contar histórias, comprar “ratos” e cágados mesmo sem querer, será que vão entender e saber calar na hora em que desejariam gritar com as crianças?

Não posso emitir opinião, mas posso desejar que meus netos [inda que imaginários]  tenham uma infância feliz, gostosa e cheia de boas recordações. Que os cuidados dos pais sejam suficientes para lhes garantir segurança e proteção física e emocional. Que meus filhos possam olhar pra trás e ver, nos meus erros, aquilo que eles decidam não imitar.Mas que lembrem sempre que tem um lugar e um colinho pra voltar, sempre que precisarem, seja que idade tenham.

“Lembre-se disso… se por acaso um dia você duvidar.”

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Post inspirado em uma pasta com canções de Bia Bedran que fizeram parte da trilha da infância deles, e que foi achada “por acaso” ontem, num DVD de backup. [Se alguma mãe-de-filho-pequeno quiser, me fale, que compartilho a pasta da dropbox com os arquivos]

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