23.2.13

Fui visitar, e saí “visitada”

Há pouco tempo recebi a notícia de que um grande amigo (na verdade, a amizade dele eu herdei de meus pais, pois eram amigos desde a juventude de ambos, ele deve ter uns 70 e poucos anos) com quem não tenho contato há bastante tempo, apesar de residirmos a 30 Km de distância, estava com câncer. Fiquei chocada, triste… mas como é daquele tipo de câncer que geralmente a cirurgia e químio resolvem, e dá uma sobrevida bem grande, em comparação com outros,  achei que ele ia superar, sair dessa, e ainda íamos nos reencontrar pra compartilhar experiências e agradecer a Deus por atravessarmos essas tsunamis que invadem nossa vida sem pedir licença.

Há uns dois meses, soube que ele estava mal. Que o câncer havia se espalhado, e que ele estava muito debilitado… tristeza bateu, mas como não nos víamos há anos, não me senti confortável para ir visitá-lo… Até que esta semana um outro grande amigo que temos em comum também soube dessa notpicia, e se despencou de Cuiabá pra cá, só pra “se despedir” dele. Como ele veio sem carro, me ofereci pra levá-lo, e assim fazer a minha visita-despedida também.

Chegamos lá sem avisar (doente nesse estado geralmente fica em casa, né?) E ele tinha acabado de voltar de Salvador, onde foi fazer mais uma sessão de rádio ou químio, não sei ao certo. Chegamos lá e ele estava todo “arrumadinho”, de calça social, sapato social, camisa “de botão”… bem diferente da idéia que se faz de um doente, que fica em casa de pijama, deitado…

Ele saiu do escritório com uma revista semanal na mão, e já veio comentando sobre a renúncia do Papa. Pra quem não o conheceu antes, ele estava perfeitamente normal. Pra nos, que convivemos muito com ele, só dava pra dizer: “está magrinho”. O único detalhe que denunciava a doença era um quadradinho de esparadrapo no dorso da mão direita, indicando que ele havia tomado soro ou algo intravenoso.

Ficamos lá cerca de meia hora, ou um pouco mais. E rimos um bocado. Ele fez piada, falou sobre coisas sérias, relembrou causos antigos… E quando precisamos sair por conta do horário da acupuntura, ele falou: “Posso orar por vocês?” Foi um murro no meu estômago. Quando se visita um enfermo, o natural e esperado é que quem está sadio ore pelo doente. Mas ele com toda naturalidade, me abraçou e orou por mim… pelas minhas necessidades pessoais, agradecendo minha vida e nossa amizade…

E no final eu o abracei forte, beijei suas mãos, com o carinho de filha, enquanto ele relembrava que tinha sido colega de minha mãe…

Saí dali tão feliz… pois sei que existe grande possibilidade de nunca mais nos encontrarmos, mas a imagem que vou guardar dele é a de uma pessoa que não se entregou nem à doença nem à dor, e que se preocupou com os outros mesmo quando ele era aquele digno de preocupações.

Um exemplo de vida que vou guardar pra sempre, junto com as palavras que tantas vezes me abençoaram, com os momentos em que trabalhamos juntos nos Encontros de Casais e de Jovens, e do carinho que ele sempre demonstrou por mim. Humilde e sereno ele está enfrentando bravamente dores intensas, mas com um espírito alegre e sempre pra cima. Porque é “pra cima” que se olha quando a coisa fica difícil. E é do alto que vem o socorro.

Pastor Hélio, obrigada por existir em minha vida!

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