2.3.13

Meia-noite em Paris

Véspera de viagem, hoje não coloquei a cara pra fora de casa. Vou à capitá, a serviço, amanhã, e hoje foi dia de arrumar a a mala pra uma semana, sem saber direito o que levar. Reuniões durante o dia inteiro, e vontade de usar as noites pra rever as queridas que moram lá, mas já imaginando que o corpo vai pedir arrego e não vou ter coragem de sair do hotel. O calor está comendo feio em Salvador, mas o local das reuniões deve ser climatizado, e não tenho boas relações com o ar condicionado que não posso controlar. Enfim, mala feita com jeans e blusas de dois estilos: de verão e de manga comprida, pra agüentar o ar, se estiver insuportável. Já contei que minha maior dificuldade em viagens é com o clima? 

Depois de almoçar um cozido del-li-ci-o-so, by Michela, assistimos "Meia-Noite em Paris".

Só por ser de Woody Allen, eu nem me aproximaria (apedrejamento em 3, 2, 1…) , mas só por se passar em Paris, me joguei dicumforça. Assisti pela primeira vez em fevereiro de 2012, sozinha, numa noite insone em Tatuí, na casa da prima Cristiane, véspera de embarcar no cruzeiro pelo sul da América do sul. Naquela época eu gostei, mas só gostei. Hoje, quase véspera de ir ver Paris novamente, e assistindo na matinée com Marido, o clima foi outro, e posso dizer que AMEI.

Primeiro por poder recordar lugares pelos quais passamos, especialmente no clipe inicial, com cenas da cidade ao som do instrumental de Si Tu Vois Ma Mère – Sidney Bechet. Depois pelo filme em si, que foi indicado a 5 categorias no Oscar de 2012 e levou a de Melhor Roteiro Original. E, vamos combinar, o roteiro é simplesmente perfeito. Eu não sou adepta de spoillers, e não vou falar nada sobre a história, a não ser que é perfeita para minha disciplina de História da Arte, tanto que deixei meus alunos com a responsabilidade de assistí-lo na aula que não vou estar presente, esta semana.

Mas só pra vocês terem idéia, Marido não dormiu!!! Isso coloca o filme na categoria de super hiper mega blaster interessante! Ao ponte dele ir correndo procurar preço de passagem, pra ver se dava pra ir comigo na próxima viagem (que está bem próxima!). Infelizmente, pela proximidade e por ter perdido o último feirão da TAM, os preços estavam impossíveis. Mas Paris que nos aguarde, se Deus quiser, ainda este ano [de novo]!

As milhares de referências culturais a artistas (escritores, pintores, cineastas) da década de 20 do século passado podem deixar os mais jovens meio perdidos, mas não custa jogar no google pra captar o que ficar solto, né?

Enfim, o dia terminou sem grandes emoções, mas me deixando quase pronta pra pegar o rumo do trabáio amanhã: dormi um bocadão, relaxei e vamos que vamos, que a música de João Alexandre, Feirante, é cada vez mais real:

Arruma a cangalha na cacunda que a rapadura é doce mas não é mole não
E genipapo no balaio pesa,
Anda, aperta o passo pra chegar ligeiro,
Farinha boa se molhar não presta
Olha lá na curva a chuva no lagedo

Quem foi que te disse que a vida é um mar de rosas?

Rosas têm espinhos, e pedras no caminho
Daqui até a cidade é pra mais de tantas léguas
Firma o passo, segue em frente,
Que essa luta não tem trégua
Fica na beira da estrada quem o fardo não carrega
A granel felicidade não custeia o lavrador
Vamos embora, que a jornada é muito longa
E não há mais tempo de chorar por mais ninguém.
Lá na feira a gente compra, a gente vende,
A gente pede, até barganha aquilo que comprou.
E te prometo que depois no fim de tudo na Quitanda da Esperança
Eu te compro um sonho de açucar mascavo embrulhado num papel de seda azul

[Só] Pra te consolar, ô!

 

Dou notícias de lá, assim que der! Boa noite… e boa sorte!

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