15.6.13

#ChangeBrazil

#ChangeBrazil. Esta é a Hashtag que começou a vibrar na rede, depois dos protestos desta semana.

Com toda a minha moleza e morando no interior, não me envolvi nos protestos ao vivo, mas estou incomodada com tudo isso. Não sei se estou em condições de escrever, de botar pra fora o que me arde no coração, mas não posso ficar calada.

 

E os protestos não são “por vinte centavos”, não. Os vinte centavos são somente a gota d’água que fez transbordar o copo. Impostos excessivos sem retorno em atendimento das necessidades básicas que são garantidas pela Constituição Federal, e nem em sonho existem de fato. PEC das Domésticas que, em vez de garantir direitos às empregadas domésticas gerou foi desemprego (digo isso porque eu tinha uma empregada com carteira assinada, 13º, férias e tudo… agora tenho uma diarista duas vezes por semana – a mesma pessoa, que perdeu o pouco que tinha, e eu também). Aumento de tudo nessa vida, menos dos salários de quem REALMENTE trabalha, e não é só o mínimo, não, é salário de professor do ensino superior (novamente eu legislando em causa própria). Enfim, é coisa demais pra se reclamar, não são só meros vinte centavos.

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Tirinha por Armandinho

A gente confia e vota, pra depois os eleitos tomarem atitudes diametralmente opostas ao que foi prometido em campanha, e isso já é visto como normal. É comum, mas NÃO É NORMAL!!!

Por isso tudo e muito mais, eu estaria na rua também. Levando flores e vinagre.

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Tirinha por Armandinho

A Primavera Tupiniquim está acontecendo, e eu não quero ficar de fora. Faço meu barulho aqui, e chamo pra você fazer também. O mundo precisa nos ouvir, precisa saber o que está acontecendo de verdade nesse país que vai sediar a Copa do Mundo da Fifa, as Olimpíadas e hoje deu início à Copa das Confederações.

Transcrevo aqui, com a devida autorização, o desabafo de minha amiga Karine Pacheco no Facebook:

Porque, quando eu vejo protestos como os últimos, eu penso que o que a polícia devia mesmo fazer era largar todas as armas, a estupidez e a ignorância no chão e passar para o lado do povo, o mesmo povo ao qual pertence. Essa seria a hora de desobedecer ordens, de peitar os superiores, de lembrar que também é povo, que recebe um salário de merda pra colocar a própria vida em risco todos os dias ou senão se submete às propinas da bandidagem pra lucrar um pouco mais em cima desse mesmo povo que ta aí, finalmente indo às ruas gritar por seus direitos, dar a cara a bater (e como!) pra se fazer ver e ouvir.

A questão não é o aumento da tarifa, é muito mais que isso. A questão é que cansamos, todos cansamos. Menos a policia, ao que vejo, que não se cansou de continuar do lado errado. O arcaico ditado "a união faz a força" e o velho bordão "o povo não sabe a força que tem" não foram criados à toa, mas permanecem inutilizados por uma nação inteira que prefere manter-se alheia aos grandes problemas e continuar sobrevivendo de pão e circo, sempre. A dura lida diária é esquecida ao primeiro som da globo anunciando o próximo jogo. Todas as mazelas são lindamente maquiadas ao primeiro toque dos tamborins de carnaval.

E assim vamos empurrando com a barriga, fazendo a bola de neve crescer e descer ladeira abaixo, sair do morro e ir para o centro gritar, esbravejar, apanhar, bater, machucar. Admiro profundamente aqueles que podem e tem a coragem de protestar, de lutar e de fazer a sua parte. São esses mesmos, criticados por uma população alienada que só enxerga e ouve o que passa na tv, que fazem a diferença no mundo. Foram pessoas assim que transformaram nosso país numa democracia. Capenga, mas ainda assim uma democracia, onde eu posso vir aqui e escrever o que sinto e penso sem ter em seguida alguém batendo na minha porta pra me levar presa, torturar e matar pelo fato de exercer meu livre pensamento. São pessoas como essas, que estão protestando pela tarifa do ônibus ( e elas sabem a diferença que esse preço faz e a gota d'água que é), que fizeram as grandes e as pequenas revoluções, e eu espero sinceramente que mais uma esteja começando.

Se fosse possível uma máquina do tempo para voltarmos e impedirmos que Cabral e sua primeira corja se alojasse aqui e pra cá mandasse toda pior espécie de lá, talvez impedíssemos que esses descendentes ordinários e corruptos que ocupam o poder hoje destruíssem tudo que temos por aqui.

Por último estão destruindo toda a dignidade que ainda nos resta. O amor próprio. A esperança. Quem sabe assim, quando não tivermos mais nada a perder, todos teremos de coragem de ir às ruas, de fazer o que tem que ser feito, na hora que tem que ser feito. De lutar. De não se render.

Esqueçamos o futebol, adiemos a copa, expulsemos a tiros de borracha ou de canhão, se for preciso, todo esse bando de sanguessuga que acaba cada vez mais com a gente. Eu quero um Brasil do presente; chega de achar que somos o futuro. Meu protesto é singelo, é um lençol branco na janela, mas existe. Espero que o próximo não tenha que ser jogar a toalha.

E pra quem quer dar uma olhada geral no que aconteceu nos últimos dias, veja 24 momentos de protestos que você não verá na TV. e um texto curto e direto sobre as vaias que Dilma levou na abertura da Copa das Confederações no Mané Garrincha (o estádio mais caro jamais construído para hospedar uma Copa do Mundo).

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