17.8.13

Das vantagens do DDA

“Guardei na memória, mas perdi a senha”. F.B.H..

Que tem muitas desvantagens, todo mundo sabe. Mas alguma vantagem (por Deus!), tem que ter!!! E eu tenho descoberto, ao longo dos anos: Eu esqueço a maior parte das coisas que leio! “E isso é vantagem?” No fundo, termina sendo. Assim:

Leio e releio livros como se fosse a primeira vez. Sofrendo com os mistérios, com as desilusões de amor, e tentando adivinhar o final… que já conheço, mas não lembro! Isso é muito bom, especialmente nos livros de Agatha Christie, que continuam intrigantes até o último momento, até à reunião de Poirot com todos os envolvidos, até Miss Marple ir desfiando os detalhes da história e apontar o culpado.

É bom, também, quando estou de bobeira e me deparo com um filme já assistido e não lembro o final. Posso rever muitas vezes e… quando é interessante, continua interessante. Só não é bom, no caso de filmes e livros, quando preciso comentar sobre eles com alguém que também leu, e me enrolo toda, como se fosse mentira o fato de ter lido. Nesse caso, é melhor dizer logo que não assisti e ficar buscando na memória alguma coisa que faça alguma conexão e puxe da caixinha da memória o que está lá, trancado a 1488 chaves.

Hoje cliquei no link do post mais recente da Silmara Franco e não encontrei o link de abrir a caixa de comentários (isso sempre acontece, e não é vantagem…), mas me levou a rolar a página e reler posts que eu já havia lido (e comentado), mas foi como se fosse a primeira vez! E ri sozinha… me emocionei… desejei comentar de novo… coisas que só quem sofre do mesmo mal entende.

Mas, não nego: a  sensação mais gostosa é reler meu blog. É, faço isso com frequência. E a cada vez, me surpreendo com meus própris textos! Pode isso, Arnaldo? Algumas vezes leio, e penso: pô, que coisa boa de se ler! (Modéstia, cadê você???) Só às vezes, só às vezes. E, na maioria delas, em posts mais antigos. Aos meus olhos, minha qualidade de escrita está inversamente proporcional  à juventude dos posts!

Sinto a mesma coisa quando releio minha monografia da Graduação ou minha dissertação do Mestrado. Como se tivessem sido escritas por outra pessoa, mas outra pessoa com cujo pensamento concordo integralmente, e onde enxergo toda a lógica do raciocínio. E acho massa!!! Dá pra entender? Se não der, paciência. Ou melhor, jogue suas mãos para o céu e agradeça porque você não tem uma deficiência dos neuro-transmissores dopamina e noradrenalina no córtex frontal.

7 comentários:

Neanderthal disse...

Eu não esqueço o conteúdo de livros ou filmes, mas precisei aprender a usar agenda desde novinha porque esqueço prazos e compromissos. Sou a maior furona que conheço!
Também costumo esquecer coisas que as pessoas comentam comigo ou que eu estive presente. Daí as pessoas vem com um papinho "Você se lembra daquele dia e blá blá blá?". A resposta quase sempre é não.
Esquecimento é uma benção! Tenho certeza disso!

Cadinho RoCo disse...

O melhor dessa sua publicação está mesmo é na maneira como encara a coisa do esquecimento, sem a ele associar sofrimento. Aliás, melhor mesmo é o seu humor. Gosto do seu estral.
Cadinho RoCo

Unknown disse...

“Que tem muitas desvantagens, todo mundo sabe.”
Prima Bel, aquele filme AMNÉSIA me deixou foi angustiado.
“Leio e releio livros como se fosse a primeira vez.”
Um amigo meu que sofreu lesão cerebral num acidente automobilístico foi acometido de amnésia parcial e depois, aos poucos, recuperou-se e verbalizou praticamente o mesmo encantamento. Ele, que há muito era fã do Rolling Stones, reencantou-se com SATISFACTION, UNDER MY THUMB, PAINT IT BLACK e quejandos como se fora a primeira vez.
(Seria um pouquinho como reviver o passado que não trouxemos guardado na algibeira?)
“especialmente nos livros de Agatha Christie”
Agatha Christie?
Fala sério, Anabel...
(Oops... Narciso acha feio o que não é espelho.)
“não lembro o final.”
Como estou tomando numa fase de overdose de Bergman, eu diria: Pouco importa o final.
“como se fosse mentira o fato de ter lido.”
Curioso isso. Não sou DDA, mas há algum tempo, li uns quatro ou cinco livros de André Gide, me lembro que gostei, porém, hoje, não me lembro de quase nada.
“a sensação mais gostosa é reler meu blog.”
Aha! sua narcisistazinha...
...E depois fica falando das coisas da Lu.
“Aos meus olhos, minha qualidade de escrita está inversamente proporcional à juventude dos posts!”
Parece que foi esse mesmo sentimento que fez Raymond Chandler parar de escrever.
Bobagem!
Anabel é apenas mais uma leitora de Anabel. Além dela tem um monte.
“mas outra pessoa”
Aprende, Belinha: é tudo precário e provisório.

Carla Ceres disse...

Sabia que problemas de visão também trazem um lado positivo parecido, Bel? Eu moro na mesma cidade há mais de 20 anos e ainda descubro lugares "novos" nos caminhos que faço rotineiramente. :) Beijos!

Eu não tenho conserto disse...

Bel, vim até aqui reclamar com você! Você vem na minha cidade, não me avisa... ia ser uma honra conhecer uma das amigas do Gaiola! Da próxima vez me fala (vai ser quando? vai ser quando???) rs....
"deficiência dos neuro-transmissores dopamina e noradrenalina no córtex frontal" gostei do nome científico da coisa, porque eu sou exatamente assim! Compreendo PERFEITAMENTE quando você diz que sabe que já assistiu a algum filme mas que você não lembra de nada.. ahahahah e realmente é como se fosse a primeira vez!! Que bom que não estou só nesse mundo "renovável" hehehehe... E meu noivo vive falando que minha memória é uma merda, da próxima vez eu vou corrigi-lo e falar "uma merda não!!! eu tenho deficiência dos neuro-transmissores dopamina e noradrenalina do córtex frontal" (se eu conseguir lembrar desse nome todo... hehehehe
bjokssss

Bah disse...

AUhauahuaha eu não sofro de DDA, Felipe tem auahuaa mas eu gosto de reler meus posts. E, realmente, tem alguns que eu penso "caraleo, eu sou foda escrevendo isso!" auhauahuaa normal. É a inspiração...

Kisu!

Tucha disse...

Pensando assim... pode ser uma vantagem, mas no geral atrapalha. Como é dificil me concentrar (especialmente quando é algo que estou fazendo sem muita animação), concluir uma tarefa, não cometer erros idiotas outra vez, as tentativas de me organizar são sempre inúteis. E o mais traumático, falar as coisas sem pensar (pronto falei...).