10.9.13

E quando eu morrer?

Não, não tenho medo de morrer. Isso realmente não me preocupa, embora eu ainda queira viver mais un tantinho! Quando tinha filhos pequenos, meu medo era: “como ficarão meus filhotes? Quem vai cuidar deles? Quem vai educá-los???” Mas hoje já não tenho essa preocupação, então, morrer é só uma questão de tempo, e assim vou vivendo da melhor maneira que conseguir.

A questão é outra. Qual será a reação das pessoas que considero como amigos, a quem amo e a quem me dedico, na ocasião da minha morte? Comecei a pensar nisso quando vi a cena da explosão de Dona Redonda no remake de Saramandaia. Mesmo que você não assista a série e não entenda nada, recomendo que assista a cena, em nome dos efeitos especiais e também das expressões de emoção. Seu Encolheu (o marido, que a chamava carinhosamente de “Dondinha”) é de uma paixão tocante. O desespero dele, gritando “desexplode, Dondinha! Ou então me leva com você!…” é de fazer chorar.

“Quando morrer quero ir em fumaça colorida como Dona Redonda”, disse alguém no FB, não me lembro quem.

Veja aqui (cena 12) e aqui (cena 2) (foi o final de um capítulo e o início do outro).

Eu não gosto de velórios, não gosto. Sei que existem pessoas que não se importam (não sofrem) e até quem goste. Mas eu não gosto. Mas vou. Vou a velórios de queridos que se vão e também a velórios onde os queridos são os que ficam. Nesses eu vou com mais certeza de que devo ir, pois penso que quem fica é que merece a atenção, o cuidado e o apoio na hora da dor. Mas aí me pego pensando: Se for atentar somente para quem fica, estarei desrespeitando a quem foi…e se quem foi era importante pra mim, estar presente em sua “despedida” é algo que não posso deixar de fazer.

Há alguns anos fui chamada por um conhecido para saber se o corpo do pai dele poderia ser velado lá na igreja, já que a casa era pequena e de difícil acesso. Claro que pôde. Mas foi uma sensação horrível. O velho não devia ser gente muito boa, ou pelo menos, não muito “dada”. Dos três filhos, apenas dois estavam lá. E mais ninguém, nenhum amigo. Fiquei com tanta vergonha que comecei a ligar para as pessoas da igreja, apelando para que viessem ao velório, em consideração ao rapaz, filho do falecido. Como as respostas não estavam sendo positivas, chamei o coral (que eu regia) para cantar no culto fúnebre, e assim a igreja não ficou completamente vazia. Mas foi terrível. Não quero nem pensar em algo assim comigo… mas que controle tenho eu sobre isso?

Vai que não tem ninguém no meu velório? Tá, eu sei que não vou saber, que não vou estar nem aí (literalmente), mas vai ser feio, né? Acho que vou deixar um testamento (ui!) dizendo que só recebem herança os que estiverem no meu velório, pra se divertir lembrando de minhas doideiras, rindo das minhas trapalhadas, e felizes por eu ter existido. É assim que eu acho que deve ser. Mas não nego que no fundo rola um [medinho] de ter é gente dando graças a Deus por eu ter partido desta para [uma melhor].

Pra completar a reflexão, li esta notícia no Uol: http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/efe/2013/09/10/idoso-albanes-publica-nota-de-falecimento-para-receber-visita-de-familares.htm . Aí foi dose. Nem os filhos… NIN-GUÉM. só uma das filhas, para tomar as providências do enterro. O velho, que tinha mandado dinheiro pra família enquanto morou fora do país, voltou e não mandou mais dinheiro. Por mais de quatro anos ele viveu em sua terra e ninguém foi visitá-lo. Isso é que é “interesse”…

Como eu não dou dinheiro a ninguém… acho que na minha vez, se não vier ninguém o motivo deve ser outro!

14 comentários:

Carla Ceres disse...

Oi, Bel!
Fiquei com pena do senhor que simulou a própria morte. Foi ingenuidade pensar que quem não o visitava em vida fosse se dar ao trabalho de ir ao enterro.
Quanto a seu velório, informo que não vou porque, daqui a 60 anos, já estarei do outro lado te esperando pra dar as boas-vindas com direito a city tour pelo além. :)
Beijos!

Bel disse...

60 anos??? Ah, tá! Eu quero viver "mais um tantinho", e não até os 108 anos! hahahaha
Beijooo

Talita Gama disse...

Ah Belzinha, que inveja de pessoas como você que não temem a morte kkk

Bel disse...

Minha flor, por que temer o que ja está definido? Eu temo é ficar em cima de uma cama, doente, sem controle de mim mesma... Mas morrer é o fim de nós todos, entao, vamos vivendo enquanto dá, quando chegar a hora, chegou! ;)
Bjoooo

Georgia Aegerter disse...

Bel, a cena é hilária. Eu amei a primeira Saramandaia com a Wilza Carla no papel de D. Dondinha. Mas hoje em dia com esses efeitos ficou muito legal a cena.
Na época eu estava lendo Cem anos de Solidao de Gabriel Garcia Marques e a novela foi exatamente baseada neste livro.

O maior problema dela nao era o comer e engordar, mas os ódios e vingancas que ela sentia em relacao às pessoas.
Com certeza ter que carregar ao longo da vida dela o peso de ser gorda e as chacotas que as pessoas lhe fizeram ao longo da vida a deixou amarga.
Triste. Infelizmente isso ainda acontece todos os dias...

Tb nao tenho medo da morte, ela é uma realidade. Mas tb nao quero ir agora porque tenho filhos pequenos.

Um grande beijo e tema foi muito bom.

Georgia Aegerter disse...

Bel, a cena é hilária. Eu amei a primeira Saramandaia com a Wilza Carla no papel de D. Dondinha. Mas hoje em dia com esses efeitos ficou muito legal a cena.
Na época eu estava lendo Cem anos de Solidao de Gabriel Garcia Marques e a novela foi exatamente baseada neste livro.

O maior problema dela nao era o comer e engordar, mas nos ódios e vingancas que ela sentia em relacao às pessoas. Com certeza ter que carregar ao longo da vida dela o peso de ser gorda e as chacotas que as pessoas lhe fizeram ao longo da vida a deixou amarga.
Triste. Infelizmente isso ainda acontece todos os dias...

Tb nao tenho medo da morte, ela é uma realidade. Mas tb nao quero ir agora porque tenho filhos pequenos.

Um grande beijo e tema foi muito bom.

Carla Ceres disse...

Não tem essa de não querer, Bel. É a genética que manda. Veja seus pais e prepare-se. :) Beijos!

Unknown disse...

Essa conversa de se dizer que não se tem medo da morte já virou lugar comum.
Desconfio de quem o afirma.
Medo da morte é, sobretudo, medo da dor e angústia pelo que fica. É claro que tu temes a dor, e esse tipo de angústia acabaste de manifestá-lo. Logo, tens sim medo da morte.
Em rigor, deveríamos fazer um ligeiro reparo semântico, mas de substancial importância. Substituamos “medo da morte” por “medo de morrer”. E já que a morte é um evento posterior e inacessível, torna-se para os vivos uma discussão puramente acadêmica.
Dou-te meu próprio depoimento.
Antes de 1960, eu ainda não era vivo. Não me lembro de nada; nem de medo, angústia, prazeres ou alegrias. Nada. Absolutamente nada. E quando me for, retornarei a esse passado mais-que-perfeito.
Não obstante tuas crenças religiosas, contigo será o mesmo.
É isso, só isso e nada além disso.
Quanto às pré-ocupações por ti mencionadas, que o trecho de Vinícius te sirva de consolo...
...“É coisa simples a morte. Dói, depois sossega.”
E se carpideiras houver durante o teu velório, garanto que não darás por elas.
...
Para a leitura do poema de Vinícius:
http://www.viniciusdemoraes.com.br/site/article.php3?id_article=197

Bah disse...

Eu não gosto de ir à velórios. Na verdade, acho bem difícil alguém que tenha prazer de frequentá-los. Momentos tristes, de lembranças e tudo mais, um momento de dor, de tristeza, de saudade, mas eu vou em respeito a pessoa que viveu. Pior é ninguém estar presente no nosso, né?

Kisu!

Tucha disse...

Engraçado que também ando pensando muito sobre o tema... Também não tenho medo, meu receio é do adoecimento, do sofrimento estes momentos dificeis de enfrentar. Queria uma ida suave ao lado dos queridos.
Mas esta coisa de uma velório e sepultamento sem um encontro dos amigos é triste. Como temos amigos e uma grande família não temos este risco (rs,rs,rs). Prometo ir no seu, se vc prometer vir no meu certo (rs,rs,rs) e torcer para que demore de ocorrer e tenhamos muitos encontros felizes até lá.

Bel disse...

Pois entao, tá combinado! Eu vou no seu e você vem no meu! Hahahahaha
Beijoooo

Bel disse...

Fique tranqüila, amiga, você nao vai tão cedo! Beijooooo

Bel disse...

É exatamente isso Bah! Vou fazer uma campanha: venham ao meu velório!
Hahaha

Anônimo disse...

Oi Bel, tenho HIV e tenho 20 anos, desde 2012, o "fim do mundo" quando descobri via exame de rotina rs, não optei por fazer o tratamento pois o mesmo agride demais o paciente como um todo e tenho medo demais de ficar com uma aparência cadavérica, disse isso ao médico e ele falou que era um completo absurdo, mas é uma escolha própria, rezei bastante e escolhi deixar a vida seguir até a hora da partida e não tapar o sol com a peneira.
Bom, estamos em 2015 e não sinto-me mais como antes, dores demais e aquele cansaço extremo, sei que o fim está próximo e ja alertei alguns da família.
Li seu texto e suas respostas acima sobre não temer tal evento que todos nós vamos enfrentar futuramente e não sabes o quão aliviado me senti.
A morte é apenas uma passagem.
Beijos