15.8.15

Sobre monstros e florestas escuras

Eu poderia falar no maior alto astral sobre o noivado de Abelzinho e Nielly, que, por sinal foi uma festa linda, mega detalhada, preparada com muuuuito amor pelos dois grandes envolvidos. Mas isso eu já fiz no Facebook, em tempo real.

Mas preciso desabafar sobre como foi o primeiro contato ao vivo com o pai dele depois de anos, sei lá quantos.  Senta, que a história é longa.

Sabe alguém que não guarda mágoas? Sou eu. Mas o duro é quando a pessoa fez UMA grande merda, e você perdoa, releva, esquece… tentando ser o mais cristã possível e a tal pessoa segue fazendo uma merda atrás da outra, em tamanhos variáveis. Aí o resto do mundo fica achando que seu desejo de não ter QUALQUER contato com a pessoa é por causa daquela merda maior e que todo mundo ficou sabendo. (Claro que das seguintes e de tamanhos variados ninguém mais soube, porque eu não saio falando por aí.) É dose.

Mas então… a separação foi traumática, eu deprimi, (e esse blog foi minha grande válvula de escape durante todo o processo) mas passou. PASSOU. Deus usou muitos métodos e pessoas pra me levantar, pra me trazer à tona depois de afundar num mar revolto, e, principalmente restaurou minha fé no amor entre um casal (Marido não é perfeito e nem eu, mas nós somos um casal imperfeito, perfeitamente feliz). O tempo passou, mas as atitudes erradas e negativas da parte de lá continuaram, de tempos em tempos, uma paulada. Quando eu já estava esquecendo e voltando à minha linha de equilíbrio, ele aprontava outra. Não necessariamente comigo, mas com aqueles a quem eu amo. O que eu mais desejava era que ele fosse FELIZ, (porque gente feliz não atazana a vida dos outros) e de preferência, o mais longe possível de mim. Sem contatos seja lá por que meios fossem: Nem e-mail, celular, muuuuito menos pessoalmente. Mas… o noivado de um filho, com festa e coisa e tal… não daria pra escapar.

Pensei, respirei, e, por amor à minha cria, resolvi enfrentar o que eu enxergava como uma das situações menos desejadas da minha vida, atualmente.  Como uma floresta escura para atravessar, e onde eu acreditava que poderia haver um monstro, e ele era enorme.Claro que “me preparei”: Me certifiquei de que Line estaria lá comigo,  e que não atravessaria esse lugar perigoso sozinha. Mil pensamentos passavam em minha cabeça, o que eu poderia ouvir, o que iria responder, como eu reagiria a alguma provocação que houvesse (se houvesse)… foi de dar nó no juízo. Agradeço a Deus os “grilos falantes” que ele coloca em meu caminho, e que me deram força pra passar nesse estreito.

A viagem foi dureza: fui de ônibus Itabuna/Aracaju, e de Aracaju para Propriá numa van da Coopertalse – um terror. Total de 14h e a coluna sofreu, além da cabeça.  Mas quando cheguei lá e vi os rostinhos deles… passou cansaço, passou dor de coluna, o amor é maior que qualquer coisa!!!

Cheguei na sexta pela manhã, Line chegaria no sábado cedo. Mas… na sexta à noite, enquanto estávamos finalizando ainda alguns preparativos para a festa, o celular trouxe a notícia que eu não queria receber: Ela não conseguiu passagem pra ir. Respira fundo. Muitas coisas pra falar a respeito disso dela não encontrar passagem para uma viagem agendada há semanas… mas não é o foco agora. O fato é que eu fiquei triste por ela não estar lá comigo, mas na verdade eu fiquei mesmo foi com medo. Ou com raiva. Sei lá. Não dormi de sexta pra sábado. Simplesmente não me acalmei. E ainda teve um bar vizinho ao hotel na Orla do São Francisco com karaokê a madrugada inteirinha pra colaborar com minha insônia.

Mas, como tudo na vida, passou. Passou a tristeza, passou a raiva e passou o medo. Passou tudo, quando eu entendi, naquele amanhecer, que SE eu estava numa batalha interna e externa, era uma batalha MINHA. e que eu não poderia USAR minha filha como muleta, como apoio ou como rota de fuga. Que ela poderia também estar enfrentando as batalhas dela… e que seriam DELA, no tempo dela.

O dia do sábado passou entre salão de beleza, decoração da festa e afins. Cheguei no local da festa junto com os noivos, antes dos convidados. E sentei no local reservado para as “mães dos noivos”, escolhendo a cadeira que ficaria de costas para a mesa dos “pais dos noivos”. Adiantou o que? NADA. Estava no celular mandando fotos do ambiente pra Line, quando ouvi meu nome, e era a pessoa, com um sorriso no rosto, super tranquilo, acompanhado da esposa e do filhinho de 3 ou 4 anos. Mesmo assustada, cumprimentei educadamente e não passou de um minuto esse pseudo-enfrentamento. A festa prosseguiu e nos cumprimentamos novamente na hora deles irem embora. Enfim, passou.

Voltei pra casa no domingo à tarde, eles foram me levar de carro em Aracaju – ninguém merece a Coopertalse – e pude acrescentar às minhas experiências de vida esse aprendizado: Os monstros não são maiores do que nós. E tenham eles os tamanhos que tiverem, cada pessoa tem sua floresta escura para atravessar e atravessará sozinha.  Do outro lado, um lago azul ou uma praia… a paisagem que melhor nos acolher.

Dois dias depois embarcamos, Marido e eu para o Peru. E a paisagem que me esperava depois daquela floresta foi exuberante ao extremo:  Lima com seus muitos parques floridos, Cusco me fazendo passar mal pela altitude, Machu Pichu com sua atmosfera especial e a gastronomia peruana… mas isso é assunto para  outro post!

Agora, pra aliviar a barra, vê que lindeza foi a festa, e como a gente estava feliz:

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4 comentários:

Luana disse...

Oi Bel, nossa, a gente sofre TANTO por atecedencia, nao eh? Dai a nossa raiva eh alimentada... Eu entendo perfeitamente isso, porque ja passei por isso...

Ainda bem que tem o tempo e Deus para nos aliviar desses pesos...

Aline Monteiro Homssi disse...

Belzinha, me vi na sua situação, pq meu monstro particular veio no velório da vovó e eu sofri horrores, só de pensar na presença dele.
Fico feliz que tenha dado tudo certo, e que você tenha vivido isso tudo optando por manter a lucidez e sem culpar ninguém.
Você é linda e um exemplo pra muita gente. Pra mim, com certeza é!
Bjo!!!!

Bel disse...

Lile, quando você contou do velório da vovó eu só pensei nisso, sabia? Que seria, talvez seria mais duro uma presença do que a ausência. Mas como eu, você também passou. Sobreviveu, enfrentou, e saiu vitoriosa.

Tenho orgulho de você!!! <3 <3 <3

Tucha disse...

Tem momentos onde é impossível enfrentar estes "fantasmas", fazer o que... tentar controlar o "instinto assassino" e bancar a "lady", quando possível, se não ... não.