6.6.16

Feminismo até na dança









Se me perguntam se sou feminista (normalmente com aquele sorrisinho no canto da boca, e já colocando como algo pejorativo), respondo: Sim, e desde que nasci! Dependendo da percepção que tiver, na hora, se a pessoa merece uma explicação sobre "ser feminista" e mais ainda "desde que nasci",  eu faço o papo render ou encerro discretamente.

Não gosto de discutir com quem não vislumbra a possibilidade de mudar de opinião, ou mesmo de ouvir a opinião do outro pra avaliar e depois continuar a conversação.

Recentemente, por conta das aulas de dança e de fotos que tirei num evento lá, adicionei "novos amigos" no Facebook. Na verdade, são coleguinhas, que ainda estão na fase de "conhecidos". Normalmente eu dou 24h de prazo pra ver o que o "novo amigo" publica, pra decidir se vou receber as publicações dele, ou não.

Então, apesar de gostar dos moços, e de dançar com eles, percebi que não são "da minha laia", isto é, pensam muito diferente de mim, do básico ao mais essencial. Então, nada de seguir. Mas como a curiosidade é uma merda, e eu fui lá nas páginas deles e li algumas pérolas que não vale a pena reproduzir, fiquei com algumas coisas entaladas na garganta.

Numa aula, semana passada, a professora nos deixou "livres", pra fazer o que quisermos, de forró, pra ela avaliar se estávamos fazendo os passos direitinho e o que precisávamos melhorar. E ela parou a aula várias vezes para insistir com os cavalheiros que precisavam CONDUZIR as damas. Com delicadeza, mas com firmeza. E que nós não deveríamos fazer os passos se a condução não fosse clara. Okay. Muitas vezes um coleguinha dizia: "agora você vai girar", quando bastava ele afastar e levantar minha mão direita, eu iria saber que era o giro.  E eu fazia o que a professora mandou: dizia pra ele: então me mostre que é pra eu girar, não fale.

A aula seguiu, e fomos trocando de par, até chegar minha vez de dançar com um dos "novos amigos" de pensamento extremamente machista e desrespeitoso. Começamos no balançado básico, e quando foi pra mudar pro vai-e-vem, ele conduziu direito, e acertamos a mudança. e ele soltou: "Consegui!!!"

Como a pessoa aqui não presta... já soltou: Conseguiu o que? Fazer a feminista obedecer? E ele: "Você é feminista???" Depois da resposta padrão, ele quase soltou algo no estilo de "mal amada", "mal comida" ou "falta de rola". Mas se segurou e perguntou antes: "você é casada?" Eu: Sim! E MUITO BEM CASADA! O diálogo prosseguiu:

- Eu tenho uma amiga que era feminista. Quero dizer, ela se dizia feminista. E queria discutir, mas quando a gente apertava, ela ficava sem ter o que dizer, ela não era feminista, nada. Até casar. Casou, o marido manda nela e até no voto dela, porque ela votou em quem ele disse que era pra votar.

- Ah, esse não é meu caso. Não MESMO. Marido e eu pensamos diferente em muitos aspectos. Inclusive politicamente, nunca votamos nos mesmos candidatos.

Coleguinha com cara de espanto. Continuei:

- Ele é católico, e eu sou evangélica, ele vai na minha igreja e eu vou na dele, quando a gente quer. Quando não quer, cada um vai sozinho na sua.

Coleguinha com a cara mais  perplexa ainda. E eu:

- Ah, tipo agora: eu entrei na aula de dança e ele não quis. Venho sozinha.  Claro que eu preferia dançar com ele, mas se ele não quer e eu quero, estou aqui, dançando.

Coleguinha calado, salvo pelo gongo, ops, pela professora, que mandou trocar de par. Detalhe: Durante toda a conversa, fizemos os passos do forró direitinho. A feminista quando quer, se deixa conduzir.



3 comentários:

Silvia Cristina disse...

Ai que post <3

Coisa mais linda do mundo: Feminismo!

Beijos

Talita Barbosa disse...

Quando ele disse "consegui", só senti o egoísmo machista exacerbado, como se a dança não dependesse da senhora também para acontecer. Encerrando, adorei essa parte: "A feminista quando quer, se deixa conduzir"

Fernanda Rodrigues disse...

Fantástico! :)
Pra calar a boca desses machistas. Espero que isso cause algum impacto nele!

E sou doida para fazer aulas de dança! ;)

Beijos,

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