5.11.16

Do sótão da alma e das frustrações

Não raro, um texto lido em algum lugar me remete a pensamentos e reflexões que geram um texto meu. Às vezes é um texto  digno de ser repartido. Em outras, ele se perde na minha cabeça mesmo, seja por desmerecimento ou por falta de registro.

Hoje foi um post de Márcio Monteiro, no FB, que falava de um sótão "onde estão guardados, dentro de um baú empoeirado, todos os meus desejos não realizados, todas as minhas vocações não atingidas, todos os meus amores não declarados por gerações e gerações. As minhas oportunidades perdidas."

Abrir esse baú, no sótão, pode trazer sentimentos difusos e confusos. A frustração é o mais óbvio. "Deveria ter insistido. Deveria ter voltado atrás. Ter arriscado. Ter tomado a primeira atitude. Ter ido. Ter dito. Ter jogado fora. Ter ido buscar no lixo. Deveria ter..."

Não sei se perceberam, mas todos esses meus "deveria ter..." são atitudes positivas. Porque sou do time que se arrepende do que não fez, não do que fez. Estou mais para Edith Piaf:  Non, rien de rien! Non, je ne regrette rien! C'est payé, balayé, oublié, Je m'en fous du passé!*

Fora que muitas vezes esses desejos, vocações, amores e oportunidades reaparecem, sem explicação, como se negassem o ditado que diz que a oportunidade é careca atrás, com um topete na frente, e passa correndo, sem volta. Ah, meus amigos, se eles reaparecem... algum motivo tem. E se, mais uma vez, não vou me arrepender do que fiz, mas do que não fiz... faço!!!

Fiz, faço e farei. Suportando, obviamente as consequências, da mesma maneira que as suportaria caso tivesse optado por não fazer. Porque consequências sempre existirão...

Que eu tenha forças para continuar aproveitando as oportunidades e não me deixe ser levada pela inércia que tenta me aprisionar!!!

 "Bob Marley", drink que não tomei, há um ano, mas tomei um ano depois.
















*Não! Absolutamente nada! Não, não lamento nada! Está pago, varrido, esquecido, Que se dane o passado! 

2 comentários:

Isa disse...

adorei a ideia de um sótão da alma <3 e também me inspirou...

Unknown disse...

Falando estritamente da canção: atenta-se comumente para a consequência mas a causa, em passant, é quase despercebida.
Pagar, varrer, esquecer e acender o fogo com as recordações são consequências.
A causa dessa (ilusória?) epifania se revela tão-somente no último verso: “Aujourd'hui, ça [re]commence avec toi”.
...
“Ah, meus amigos, se eles reaparecem...”
Sortuda.
Cai matando se lá no que for.
Só faria um ligeira objeção a este metafísico “algum motivo tem”.
Tem não. A (des)ordem universal não está preocupada com ninguém em particular.
Bens ou males específicos são eventos meramente estatísticos.
...
Abração filosófico.