25.11.16

Sobre a escrita

"Escrevo. E pronto.
Escrevo porque preciso,
preciso porque estou tonto.
Ninguém tem nada com isso.
Escrevo porque amanhece,
E as estrelas lá no céu
Lembram letras no papel,
Quando o poema me anoitece.
A aranha tece teias.
O peixe beija e morde o que vê.
Eu escrevo apenas.
Tem que ter por quê?"
                                  Paulo Leminski 


Primeiro layout personalizado do meu blog, em 2006


Às  vezes tem, meu caro Leminski. Às vezes tem.

Escrevo porque falando, posso me trair. no tom, na expressão do rosto, no embargar da voz, no acelerar da respiração.

Escrevo porque  nas entrelinhas aprendi a deixar registrado o que só eu posso/preciso lembrar/saber.

Escrevo porque  necessito organizar os pensamentos com calma, indo e voltando, invertendo a ordem e substituindo palavras, deixando claro [pra mim] o que vivi/senti naquele momento.

Não me considero escritora, mas creio que se me exercitar no hábito da escrita, posso aliviar o coração dizendo coisas que a boca não tem permissão de falar.

Poema? Prosa? Música? Imagem? O que seja. Não importa a linguagem, tudo é escrita.

Tudo tem razão de ser, tudo tem, ainda que inconscientemente, um propósito. É assim que eu penso, seu Leminski.

Um comentário:

Unknown disse...

“Poema? Prosa? Música? Imagem?”
É a irrequieta alma semiótica de Anabel.