12.11.16

Tentando arrumar a casa

Já que falei do sótão da alma, que é o passado não vivido, agora quero falar do presente vivido. Bem, não literalmente "presente", porque o presente é o instante de agora... e se foi vivido já virou passado. Então do passado recente, e vivido, arrumando a casa nas memórias.

Este blog é mais do que uma válvula de escape, uma maneira de canalizar as emoções. É também um registro do meu Eu, dos sentimentos e do que me aconteceu. É bem egoísta, mesmo. E daí? É isso mesmo, quem paga minhas contas sou eu (fazendo a revoltada, desnecessariamente).

Mas então...  Este mês de outubro (já sei, estamos em novembro, mas quero falar de outubro) foi intenso. E talvez por isso mesmo não tenha conseguido escrever. Saramago, nA Viagem do Elefante, falou: “estes quinze dias, duas semanas de felicidade autêntica, e, portanto, sem história.”

Pois bem, em outubro eu viajei o que não havia viajado durante todo o ano. Campina Grande, Pipa, Aracaju, Recife e - pasmem - Fernando de Noronha!!! Cada local merece um post específico, e não sei se vou conseguir. No momento, vou falar de Noronha.
Dois Irmãos, visto do Forte dos Remédios, minha primeira experiência na Ilha.

 E senti NECESSIDADE de falar de Noronha, porque ultimamente, não sei por que cargas d'água, tenho lido vários textos de pessoas que visitaram Auschwitiz. (Até parece que foram na mesma ~excursão~)

Desde a adolescência leio sobre o holocausto e me emociono. Perdi as contas de quantas vezes li O Diário de Anne Frank e O Refúgio Secreto, além de outros tantos livros [e filmes] da época.  E sempre pensei que não gostaria de visitar esses lugares. Sempre achei que me fariam mal, e agora, lendo esses textos de quem esteve lá, tenho certeza.  Então, pra contrapor a esse sentimento ruim que me veio só pela leitura sobre Auschwitz, resolvi escrever sobre Noronha.

Que lugar, minha gente, que lugar! As cores, as paisagens, a água... e até as pessoas tem uma energia diferente.

Foto tirada pelo Guia Turístico Júnior, duranto o "Ilha Tour", na Praia do Leão

Nem vou falar dos preços, porque isso não é novidade pra ninguém, é tudo caro mesmo. Mas é caro, apenas de maneira relativa ao dinheiro que se tem. Porque vale ca-da--cen-ta-vo. E se for comparar com Rio e São Paulo, é até barato. Mas não é esse o foco do meu texto. E nem vou falar de dicas de viagem. Quero falar de emoção.

Primeiro devo esclarecer que essa não foi uma viagem planejada. Noronha sempre foi um sonho, mas um sonho tão tão distante, que nem mesmo parei pra pesquisar sobre.  De quando decidi ir até o embarque foram menos de 24h. O máximo que consegui me informar, foi na revista de bordo da Azul, que tinha uma matéria que falava da Ilha. Uau! Bem eu. #sqn . Eu, a pessoa que pesquisa TUDO sobre os lugares para onde viaja, chegou em Noronha virgem. Sabia NADA. Nem fotos eu lembrava de ter visto... #DDAfeelings

Cheguei lá pelas mãos de Edleuza, colega da minha primeira graduação, 30 anos atrás. Não vou contar detalhes, porque não consigo colocar em palavras toda a saga. Só sei que ela me recebeu cheia de carinho, como coração e a casa abertos, e me possibilitou viver as 48 horas mais surreais da minha vida. Gente, Noronha é uma epifania.
No por-do-sol no Forte... 

 Eu havia vivido tempos de muito estresse nos meses anteriores, e não estava sabendo como lidar.  A viagem a Pipa foi o começo do respiro, mas lá eu conversei muito (com as comadres, como não falar dos pepinos???) e até avisei: "posso chorar, viu? não liguem se isso acontecer... é esperado, tô precisando". Nem chorei, mas fiquei o tempo inteiro acompanhada de gente boa e querida. Então não parei pra PENSAR nem SENTIR muita coisa relacionada a mim mesma. Já em Noronha, Edleuza trabalhando durante o dia, só nos encontrávamos a partir do por-do-sol, para nos deliciarmos com as belezas que Deus preparou, e depois jantar, papear e dormir. Tive muito tempo sozinha, pra pensar e conversar comigo mesma. Um tempo que Deus sabia que eu precisava... fora do meu ambiente, visualmente longe dos problemas, num paraíso, com o sol que eu precisava tanto e estava escondido por aqui... é, Ele preparou TUDO, nos mínimos detalhes.


Vista da Praia do Sancho, considerada pelo Trip Advisor, a mais bela do mundo até o ano passado.
Perdeu este ano para uma praia do Thaiti.


 
Outro ângulo dos Dois Irmãos *


Fotografar em Noronha foi das experiências mais impactantes que tive (como fotógrafa). Foi estranho, porque estava a passeio e sozinha... o que rolava mesmo era fotografar paisagens e fazer um flagra ou outro de turistas que estavam no mesmo grupo que eu. Ver aquela beleza toda, aquelas cores, aquela luz (AQUELA LUZ!!!)  e não ter com quem repartir "ao vivo"... foi difícil. Só depois, parando pra pensar, é que estou dando valor aos momentos solitários.

Fui sem grana, e gastei pouco (relativamente).Mas ganhei muito. Muito mesmo. Mergulhei duas vezes, uma no raso, entrando pela praia, na Baía do Sueste e outra em mar aberto, saltando do barco. Oh, God!!! O que é isso???!!! Acho que todo mundo deveria mergulhar uma vez na vida. E não precisa ser de cilindro, não. Pode ser "bestamente", de máscara e snorkel, só colocando a cara dentro d'água e vendo um mundo novo. (Aproveitando a oportunidade, vejam estas sugestões de "fazer coisas pela primeira vez".) Garanto que sua vida vai mudar. Quase tanto como quando se salta de paraquedas.

Os mergulhos estavam incluídos nos passeios que a Edleuza agendou pra mim. E foram fantásticos. Juro que tive mais ~medo~ do mergulho na praia do que em mar aberto. Na praia haviam as correntes, e o Swell que estava ameaçando entrar (google this). E a sensação de "não poder se afastar do grupo", numa vibe de "se ficar pra trás [enquanto fotografa] vai se lascar". Mas foi incrível ver tartarugas gigantes, peixes variados, corais e até um tubarão limão (não sei se foram dois tubarões ou  duas vezes o mesmo tubarão).  [Na verdade, não tive medo hora nenhuma, a não ser num momento em que me vi muito perto de umas pedras, no Sueste. Mas foi uma fração de segundos, me organizei e haja bater perna pra voltar à rota... nessa de bater perna, fiquei com o peito do pé doendo por uns três dias. Mas faria tudo novamente!!!Quando digo que no mar aberto tive ~menos medo~ é porque foi ~mais confortável~]




 
Antes de entrar no mar. Depois, as fotos não ficaram boas...


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É preciso estar atento e forte,
Não temos tempo de temer a morte...
(Foco no peixe azul e...ops! O que vem a seguir???)

Em mar aberto, só havia o nosso barco, e era uma piscina natural, nada de correntes marinhas. Não precisar lutar contra a água foi a melhor parte. Sentir a liberdade de estar no meio do mar, sem depender de nada nem de ninguém (só do meu "macarrão"), e ainda ver as coisas lindas do fundo do mar... não tem preço. Lá não teve tartaruga nem tubarão, a emoção foi outra. Também pude tirar a máscara e nadar livre, leve e solta. Morro de vontade de ir de novo, só de pensar...

 Não é nada bonito, ver essa boca assim... mas vale a pena!!!
 Aprender a respirar sem usar o nariz foi mais uma das conquistas da minha "Boa Idade"!!!


Fotos com o "macarrão": Maurício Omena

   Outra experiência marcante foi ver os golfinhos. E não eram "alguns", eram dezenas!!! Não fizeram a "rotação sobre o próprio eixo", mas se exibiram bastante, e vieram acompanhando o barco por um bom tempo! O vídeo abaixo é de Patrícia França, companheira de passeio nos dois dias!

video


Não esgotei o assunto... mas o post já está grande demais. Ainda volto a falar sobre essa Ilha Mágica... e ainda volto lá, pode crer!!! #curtonoronha #amonoronha







* Minha gratidão aos amigos que fiz no grupo que fez o Ilha Tour e o passeio de barco, especialmente Patrícia e Maurício, além do guia Júnior, de quem não peguei o contato, e que fez estas fotos.
 


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