15.4.17

Da saudade e do que fazer sobre isso

Hoje é meu aniversário (de novo - e mês que vem tem outro). Hoje é meu aniversário de ser mãe. 29 anos atrás, eu amanheci na maternidade Santa Helena, rindo e brincando, como se fazer uma cesárea não fosse nada - e pra mim, realmente não foi. Entrei no centro cirúrgico andando, rindo e entregando minha câmera fotográfica para a irmã Edimèe fotografar, com as seguintes recomendações: "Tem dois filmes de 36 poses cada. Não economize!" - Ela não economizou, e as fotos do parto de Line poderiam figurar na Pais & Filhos como a reprodução completa e perfeita de uma cesárea.

Às 9:40h estava com minha filha no peito, ainda no centro cirúrgico. Não me perguntem como isso aconteceu, em 1988, mas ela mamou desesperadamente enquanto Dr. Viriato e Dr. Slaibi me costuravam. Era uma sexta-feira, e só tive alta no domingo à tarde. Lá, somente meus pais, o pai dela, Rosane e Glaide, amigas que "seguraram" as visitas, com toda firmeza, já que eu optei por não querer "enxame de gente" no hospital. Rosane dormiu comigo as duas noites, trocou a primeira fralda dela e me dengou (como fez durante toda a gravidez) como só a melhor amiga pode fazer.

Acho que posso descrever esse 15 de abril com todos os detalhes, mas o que mais me marcou foi olhar para ela pela primeira vez e me ver, ali. Reconhecer naquele pacotinho de 2,280g o bebê que eu fui, parecia xerox das fotos que tenho, de quando tinha 24h de nascida (sim, minha mãe contratou fotógrafo para a maternidade, em 1965! Eu tenho histórico com fotografia!!!) Eu olhei pra ele e achei que era eu... e entrei em pânico imaginando que eu seria minha mãe. Naquele momento jurei pra mim mesma que NÃO SERIA. Que meu relacionamento com ela seria limpo, transparente e sem as manchas que existiam entre minha mãe e eu.

Claro que nem tudo foram flores nas primeiras horas... mamar o tempo todo fez com que meus seios ferissem, além de me deixar exausta. Ela já nasceu "acesa", e resolvida a não ficar no berço. Queria colo, aconchego, e eu estava absolutamente pronta a dar, sob todos os protestos de que eu ia "viciar" no colo. Mas olhar aquela coisinha minúscula que só segurávamos com um travesseiro embaixo, e depois no porta-baby, me desarmava. Ela era minha e eu era dela. E foda-se o mundo! (Na época, eu jamais cogitaria em verbalizar isso, mesmo que o sentimento fosse exatamente esse.)

Vivemos emocionalmente uma para a outra em regime de exclusividade, mesmo que eu tivesse precisado voltar a trabalhar dois meses depois, e voltasse correndo pra casa a cada duas horas, para amamentar. Benesses de morar em uma cidade minúscula, onde nada é longe.

Corta para 2017. Ela mora há 2.000 km de distância desde que completou 18 anos. E de lá pra cá, pouquíssimos aniversários, dela ou meus, pudemos estar juntas. A cada ano eu reajo de uma forma... Às vezes faço extensas declarações de amor, no blog ou em redes sociais... às vezes tento sublimar, fingindo que 15 de abril é um dia qualquer. Não sei o que fazer este ano.

Sentir saudade é uma merda. Sentir saudade e não poder fazer nada a respeito, é uma merda ainda maior. Sentir saudade e tentar abafá-la é desesperador. Sentir saudade e imaginar se a outra pessoa também sente ou se não está nem aí é violentamente doloroso.

* Respira *

* Suspira *

* Chora * - Não, não chora, que as lágrimas estão fazendo greve.

* Aceita *

* Agradece *

* Segue a vida *


Sem fotos, pra não piorar a situação.



Um comentário:

Rosane Schwan disse...

Como sempre as descrições que vc faz me emocionam. Embora algumas palavras você não proferidas na época �� . Amo vc é a nossa Linoca. Bjs Rosane