23.4.17

Precisamos falar sobre...

Sobre qualquer coisa. Precisamos falar. E vou começar pelo que deveria ser o final, a conclusão dessa contínua conversa comigo mesma, que é este blog: Se "engolirmos" sentimentos, emoções, pensamentos, sonhos... podemos morrer engasgados. Precisamos falar.

Não precisa ser sobre algo específico... nem necessariamente profundo. Mas quando falamos sobre banalidades, deixamos entrever nossa profundidade. Aparecem na conversa os nossos sentimentos, nossas crenças, nossas preocupações, nossos sonhos, mesmo que não sejam o assunto principal. E é por isso que nos procedimentos terapêuticos (de psicanálise, psicologia e afins) somos estimulados a falar. Falamos sobre o que há na superfície, para que um profissional perceba o que está mais pra baixo. Águas tranquilas às vezes escondem vulcões.

Mas além da palavra falada, terapêutico pode ser também soltar a palavra escrita. Em tempos de intenet, está cada vez mais fácil falar/escrever e ser ouvido/lido. Danado é filtrar o que é pra se dizer a todo mundo e o que fica disponível pra qualquer um. E haja escrever e apagar, trabalhando as entrelinhas...

Ultimamente estou falando menos. Seja ao vivo, seja na escrita. Salvo alguns momentos intensos e catárticos, como numa das noites passadas em Ouro Preto, num papo com Lile que varou a noite... tenho soltado menos das coisas mais importantes de mim. E sinto falta disso. Mas confiança é artigo cada vez mais raro, e assim vou levando a escuta terapêutica formal e informal com mais parcimônia.

De toda forma, sigo falando/escrevendo, de mim, de minhas dores e mazelas, sonhos e alegrias. Com ou sem entrelinhas.  Sem isso, não serei eu.

"A palavra é o único modo de elaborarmos. Com aquilo que vira palavra podemos fazer algo. Mas aquilo que não vira palavra, nos faz refém dos acontecimentos." (Ana Suy Sesarino Kuss)



2 comentários:

Aline Monteiro disse...

Nó, aquela noite foi catártica pra mim. Teve alegria, tristeza, sorrisos, risadas, choro, sono, medo, tudo reunido e com muito amor. Foi lindo, Bel. Queria mais!
Bjo!

Bel disse...

Lile, também quero mais! Não podemos deixar demorar mais 5 anos!!! Amo você, bem grandão!!!