26.7.17

Da tristeza


Faz um tempo que conheci a história da Cris Guerra. Primeiro no blog Hoje Vou Assim, depois no Para Francisco, que virou livro e Marido me deu, logo no começo do namoro. Poucas vezes me emocionei com uma história de vida como a dela. Que fez da tristeza e da dor motor pra viver,  e estimula um caminhão de gente a reagir, escrevendo pra exorcizar a própria tristeza e dor.

Apesar do sobrenome, não temos parentesco... e nem tenho 1/3 do dom que ela tem pra expressar em palavras o que vai no coração.E nem a disciplina de quem escreve todos os dias. Mas tento. Tento, nem que seja vomitando a tristeza e o cansaço, a dor e as prisões (visíveis e invisíveis)  em palavras, aqui no blog, com intervalos absolutamente instáveis, mesmo sentindo o desejo e a necessidade de escrever todos os dias. 

Admiro a Cris por não temer se expor, não se apequenar diante dos desafios, e dar uma banana para a opinião alheia. Ainda estou na fase das entrelinhas e véus que escondem o que realmente quero dizer. Em parte porque em geral as pessoas tendem a minimizar a dor alheia. É fácil responder de duas maneiras: Ou se conta uma história pior, ou trata como "bobagem, poderia ser pior".. Ambas não ajudam nem um pouco.

O que ajuda é simplesmente ouvir e exercitar a empatia. Só dizer: "Putz! Que merda!" Ou como virou modinha: "te abraço, miga". 

Eu queria poder contar minhas tristezas,  imensas pra mim, mesmo que elas pareçam pequenas aos olhos de quem lê... Queria não precisar de segredos nem de entrelinhas. Mas viver em sociedade é foda. A compreensão parece ser vendida em conta-gotas, a preço de ouro.  

Assim... melhor calar a boca e soltar os dedinhos nervosos no teclado, tentando expelir o que incomoda sem ferir ninguém, sem me mostrar pra quem não precisa, e deixar registrado pra mim mesma o que vivo lá dentro de mim. Abrir uma garrafa de vinho e tomar uma taça, sozinha, ignorando que tem um remedinho tarja preta que deveria me impedir de fazer isso... e torcer pra dormir como um anjinho.

PS- Seguindo o conselho de alguém: não escrever somente nas horas de tristeza. Registrar também os momentos de alegria intensa, que vêm  de maneira programada ou inesperada... mas vêm, sempre vêm!

Nenhum comentário: