1.10.17

Democrática

Eu soube desde sempre: a praia é para todos. Pelo menos as praias do centro da cidade, de cidades como a minha. Sei, já restringi bastante... mas ainda assim mantenho a assertiva.

Desde criança me acostumei a ir à praia sem grandes programações.  Bastava o tempo "abrir", ou o dia já começar lindo, que a chamada "Bora na praia?" (com todos os erros de português) era logo ouvida, e automaticamente aceita.

Um mergulho no mar alguns minutos antes de ir pra escola à  tarde (e depois de voltar da aula de piano e fazer os deveres -ou não) era algo absolutamente comum.

Nunca precisei de dinheiro pra ir à  praia, nem nos meus tempos de adolescência em Ilhéus e nem na pós adolescência em Recife. Lá,  bastava ter o passe pra pegar o CDU-Boa Viagem e estava tudo resolvido. Em coisa de uma hora, hora e meia no máximo,  estava no ponto do hotel que agora esqueci o nome, estendendo uma toalha (ainda não era moda ter canga) e marcando o ponto todos os sábados. T O D O S, nos 5 anos em que morei lá,  com exceção da véspera do meu recital, ou quando estive doente.

Não consigo entender quem diz que não vai à  praia porque está sem dinheiro. Eu vim hoje, e estou voltando pra casa sem gastar um real.  Estou vendo quem trouxe isopor pesado de tanta cerveja, lanchinhos variados, e também quem sentou nas mesas das cabanas e está comendo moqueca de camarão. E quem, como eu, chegou e saiu sem comer ou beber nada.  Democraticamente .

A praia não exige nada... você pode ir vestindo qualquer estilo de roupa de banho, na moda ou não,  combinando ou não com seu tipo físico... e até sem maiô ou biquíni... também já me joguei na água várias vezes, sem medo de ser feliz, do jeito que estava, bastava o calor estar demais e o juízo ter dado uma voltinha.

Também não exige que ninguém se molhe... tenho amigas que não suportam água salgada, mas amam estar na praia, sentar e contemplar o mar.  Não é  o meu caso. Eu gosto de me sentir envolvida pela imensidão,  de me soltar sem amarras, seja nas ondas ou na água calma da baía.  Mas mesmo isso é  permitido: não quer se molhar, pode ficar lá,  curtindo a vista. Democraticamente.

Para curtir a praia não precisa ter um "corpão", estar "em forma", essas cobranças idiotas que o mundo se acostumou a fazer. Nem tem idade mínima ou máxima.   Estou na praia, neste momento, e posso ver de bebês a idosos, passando por crianças (muitas mesmo. Elas são a maioria no point em que estou),  com todo tipo de corpo, cor (e cuidado com a pele), e vestimentas diferentes. Tem uma senhora de vestido, colocando o neto pra nadar... uma grávida "com a barriga na boca", gente andando de caiaque, stand up e roupa com proteção UV, enquanto outros passam óleo bronzeador pra acentuar a melanina. (Não fotografei ninguém por motivos éticos.  Mas bem que tive vontade. ) Muitos celulares a postos, selfies de montão.  Poses variadas: de casal, com copo de cerveja, com biquinho... e ninguém criticando ninguém, até onde posso ver. Cada um cuidando de sua própria vida (menos eu, que estou aqui nessa análise antropológica, mas 100% positiva).

Tem o pessoal que trabalha nesse escritório ao ar livre, e traz os filhotes pra se divertir enquanto eles vendem todo tipo de comida, óculos,  chapéus,  brinquedos, acessórios tecnológicos... Democraticamente oferecendo trocentas vezes a quem está parado.

A praia é  democrática ainda porque permite que se venha em família,  em casais, "em bando"... ou apenas com a sua própria companhia, como estou hoje. Qual a melhor opção?  A do dia! Venho de qualquer jeito, entendendo que a maneira que deu pra vir é  a melhor, pois é a que tenho e vou desfrutar. 😉


Adoro parar e ficar observando e analisando tudo isso... mas agora vou ali, dar um mergulho, que o sol do meio dia apertou meu juízo!





Um comentário:

Meri Pellens disse...

É verdade mesmo. Praia, como a maioria das melhores coisas da vida, é de graça ou custa muito pouco. Graças a Deus, ser feliz é muito simples, as pessoas é que complicam e são muito cheias de frescura.

Bjo, Bel.

PS: eu sumo mas vira e mexe reapareço 😘