27.10.17

Umas e outras (ou eu e eu mesma)

Se uma nunca tem sorriso
É pra melhor se reservar
E diz que espera o paraíso
E a hora de desabafar.
A vida é feita de um rosário
Que custa tanto a se acabar...
Por isso às vezes ela pára 
E senta um pouco pra chorar...
Que dia! Nossa, pra que tanta conta?
Já perdi a conta de tanto rezar...

Se a outra não tem paraíso
Não dá muita importância, não,
Pois já forjou o seu sorriso
E fez do mesmo profissão!
A vida é sempre aquela dança
Aonde não se escolhe o par...
Por isso às vezes ela cansa
E senta um pouco pra chorar...
Que dia! Puxa, que vida danada,
Tem tanta calçada pra se caminhar!...

Mas toda santa madrugada,
Quando uma já sonhou com Deus
E a outra, triste enamorada,
Coitada, já deitou com os seus,
O acaso faz com que essas duas
Que a sorte sempre separou
Se cruzem pela mesma rua
Olhando-se com a mesma dor.
Que dia! Nossa, pra que tanta conta?
Já perdi a conta de tanto rezar...
Que dia! Puxa, que vida danada
Tem tanta calçada pra se caminhar!...
Que dia! Cruzes, que vida comprida,
Pra que tanta vida pra gente desanimar?


Um comentário:

Tucha disse...

É do Chico ou você é a poeta. Essa dualidade sempre nos faz inquietas e surpreendente.