4.11.17

Ninho vazio.


Por cerca de 3 semanas acompanhei um casal de sabiás e seus ovinhos. Nasceram os filhotinhos, e hoje eles voaram. Fiquei de plantão durante vários momentos do dia, pressentindo que hoje seria o voo inicial. A natureza me presenteou em que pudesse não somente assistir,  mas também registrar esse momento lindo (em fotos e vídeos que ainda estão na câmera).





Mas o caso é  que desde a hora em que o primeiro passarinho voou, bateu aquele sentimento de tristeza e vazio, confesso. 

Não imaginei que fosse doer tanto. Sei que vou sentir falta de olhar pela janela e saber que eles estavam ali, ainda que não ao alcance da mão, ao alcance da vista. Que eu podia acompanhar, que podia fotografar, que podia sentir que de alguma forma participava da vida deles. 

Mesmo sabendo que esse era um momento inevitável, mesmo sendo grata pelos dias em que pude senti-los como "meus", mesmo tendo registrado nossos últimos momentos juntos... não consegui ficar feliz com as fotos, com o vídeo. O sentimento dominante é  o de abandono. Comprovei que a tal síndrome do ninho vazio existe, literalmente. 

O ninho pode (e certamente vai) ser ocupado novamente por outro casal, vou acompanhar outros filhotinhos... mas até lá,  acolho o vazio. Recebo sem revolta e espero pacientemente que o coração se aquiete. 

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