5.4.18

#eumetoacolherSIM










E hoje, exatamente hoje, chegaram as colheres que comprei na @magazineluiza  em apoio ao @appmeteacolher e à  conscientização de que as mulheres PRECISAM DENUNCIAR abusos em qualquer nível e se ajudar mutuamente. 

Hoje é  dia de escrever textão.  E textão tenso. Dia de escancarar coisas que quase ninguém sabe. Dia de dar o meu relato de como é  viver abusos num relacionamento, e após o fim dele me ver obrigada a ir à  Delegacia Especial de Assistência à  Mulher (DEAM).

E de contar como foi difícil... mesmo com todos os privilégios de mulher cis, branca, pós graduada, e com assistência de uma advogada. 

Dia de dizer que uma denúncia demora a ser apurada e uma medida protetiva, que é  apenas um papel que diz que ele não pode se aproximar nem falar comigo, ou mandar mensagem de qualquer espécie demora ainda mais de ser expedida.  Que esse "sacode" que ele tomou, ao se ver intimado, só o levou a fazer draminha e posar de vítima diante da conciliadora na audiência.

Dia de saber que eu não  preciso mais usar meias palavras o tempo todo. De dizer que eu sei que estou sendo stalkeada  e que descobri que não havia nenhuma "amiga mandando print".  Dia de arregaçar pro mundo todo que é  muito melhor estar só do que num relacionamento abusivo.

Dia de dizer pra mim e pro mundo que não sou culpada de nada, a não ser de ter permitido tudo o que permiti que fosse feito contra mim no dia a dia doméstico. Sim, tenho culpa em ter permitido, em ter me calado tantas vezes diante de situações em que "para manter a paz" eu chorava sozinha. 

Em ter baixado a cabeça e não ter feito o que eu queria, quando ele dizia: "faça o que quiser, eu não mando em você!".

Descobri que essa é  uma estratégia altamente eficaz. Quando eles dizem "eu não mando em você", a gente faz o que eles querem. Por amor. Por não querer brigar. Por pura preguiça de discutir e apresentar todas as razões que a gente sabe que tem.

E depois de todas essas descobertas e de me sentir mais confiante em mim e em minhas decisões, reparto aqui o que aprendi com essa triste experiência:  NÃO DEIXEM DE DENUNCIAR. MAS NÃO FAÇAM ISSO SOZINHAS. Procurem uma advogada  e se cerquem de todas as provas possíveis. E-mails,  prints, gravações, testemunhas, tudo. Porque a nossa vida não é  brincadeira.




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